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A história das doenças cardiovasculares

Por: Peter Megdal PhD

Como Usar Este Artigo

Aviso médico: Este artigo é apenas para fins educativos e não constitui aconselhamento médico. Consulte sempre o seu médico para obter orientação pessoal.

Clinical Takeaways

  • The historical decline in coronary mortality was driven by population risk-factor reductions combined with medical therapies, rather than technological advances alone.
  • Lowering smoking, blood pressure, and cholesterol prevented initial heart attacks, while advances in acute rescue care substantially improved survival after events.
  • Recent progress in reducing coronary deaths has stalled, counterbalanced by rising rates of obesity, diabetes, and deteriorating population blood-pressure control.

Texto Fácil

Por que os ataques cardíacos deixaram de matar a maioria das pessoas

Uma história de cem anos, em linguagem simples

Resumo de uma revisão de evidências com referências completas sobre doença cardíaca coronariana, 1925–2026

A doença cardíaca coronariana era a principal causa de morte no mundo industrializado. Depois, esse número caiu em cerca de 80%. Veja aqui o que realmente causou essa queda — e por que a história não é exatamente a que a maioria das pessoas ouve.

Durante a maior parte da história da medicina, ninguém foi diagnosticado como estando morrendo de um ataque cardíaco. Não porque isso não estivesse acontecendo, mas porque a condição não havia sido diagnosticada — uma artéria coronária obstruída artéria só foi descrito em um paciente vivo em 1912. Em quatro décadas, tornou-se a principal causa de morte no mundo desenvolvido. Em mais quatro décadas, já estava em declínio. Isso reversão é uma das maiores conquistas da saúde pública já registradas, e costuma ser mal explicada.

Qual foi a magnitude dessa mudança?

Muito grande. Nos Estados Unidos, as mortes por doença arterial coronariana caiu em 81% entre 1970 e 2022, quando se leva em conta o envelhecimento da população. O número de mortes registradas especificamente como ataques cardíacos diminuiu em 89%.

Duas vitórias diferentes, frequentemente confundidas

Aconteceram duas coisas distintas, e confundi-las é a causa de quase todos os mal-entendidos.

Em primeiro lugar, houve uma redução no número de pessoas que sofreram ataques cardíacos. As populações fumavam menos e apresentavam índices mais baixos de pressão arterial, e apresentou valores mais baixos colesterol. Parte disso se deveu ao comportamento individual; grande parte, porém, foi resultado de políticas e mudanças no abastecimento alimentar.

Em segundo lugar, as pessoas que tiveram ataques cardíacos deixaram de morrer em consequência deles. Em 1960, ser internado no hospital com um ataque cardíaco significava ter uma chance de aproximadamente uma em três a uma em cinco de não sair de lá. Hoje, em um hospital bem administrado, essa chance é de cerca de uma em vinte.

Ambos reduzem a taxa de mortalidade. Mas prevenir um ataque cardíaco e sobreviver a um são conquistas completamente diferentes — e os dados internacionais sugerem que a prevenção teve um papel mais importante.

Não foram principalmente os comprimidos

Eis o que surpreende as pessoas. As mortes por doença coronariana nos Estados Unidos atingiram o pico por volta de 1968 e já havia caído em cerca de um terço antes o primeiro estatina ensaio clínico, antes que os medicamentos modernos para pressão arterial se tornassem amplamente utilizados, antes dos serviços de emergência angioplastia, e antes que alguém tivesse comprovado que aspirina ajuda durante um ataque cardíaco.

As estatinas são medicamentos realmente excelentes — elas reduzem o risco de um evento cardiovascular grave em cerca de um quinto para cada unidade de Colesterol LDL que elas eliminam. Mas elas surgiram em 1987 e só passaram a ser amplamente utilizadas no final da década de 1990. Elas não conseguem explicar um declínio que começou trinta anos antes. Na Islândia, onde pesquisadores criaram modelos detalhados para o período de 1981 a 2006, as estatinas foram responsáveis por cerca de 0.5% da queda — enquanto a redução geral do colesterol representou 32%. A maior parte dessa redução no colesterol decorreu de mudanças na alimentação das pessoas, e não de medicamentos prescritos.

Nos cerca de vinte países analisados dessa forma, a variação dos fatores de risco populacionais costuma explicar algo entre 45% e 70% do declínio e do tratamento médico entre 25% e 45%. O atendimento de emergência ao infarto em si costuma representar apenas cerca de 5–10% da queda observada na população — mesmo que seja a razão pela qual um paciente específico sobreviva.

O que nos ajudou e o que nos prejudicou

Há um ponto que merece destaque: nenhuma dessas medidas é simplesmente uma “escolha de estilo de vida”. Os impostos sobre o tabaco, as leis antifumo, a proibição do tabaco industrial gorduras trans, e a redução do sal nos alimentos processados alterou o risco de populações inteiras, incluindo pessoas que nunca tomaram uma única decisão sobre sua saúde.

Sobrevivendo ao ataque cardíaco

A outra metade da história se passa em um hospital. O maior avanço de todos não envolveu nenhum medicamento: o unidade de cuidados coronários, inventado no início da década de 1960. A ideia por trás disso era simples — muitas mortes precoces por ataque cardíaco decorrem de um ritmo cardíaco caótico, e esse ritmo pode ser revertido instantaneamente com um desfibrilador; portanto, alguém deveria estar monitorando continuamente. Depois vieram a aspirina, os medicamentos para dissolver coágulos e a angioplastia de emergência para desobstruir a artéria bloqueada.

Nem tudo o que é chamado de “tratamento cardíaco” tem o mesmo efeito

Uma confusão comum: a angioplastia de emergência durante um ataque cardíaco salva vidas, mas o mesmo procedimento realizado de forma eletiva para dor torácica estável serve principalmente para aliviar os sintomas — grandes estudos demonstraram que ele não reduz a mortalidade.

A parte que ninguém gosta: o progresso estagnou

Desde aproximadamente 2011, o declínio diminuiu acentuadamente nos Estados Unidos e no Reino Unido. Entre adultos com menos de 55 anos, ele estagnou, e um estudo de 2026 com quase um milhão de internações hospitalares constatou que as mortes intra-hospitalares após um primeiro infarto grave, na verdade, rosa em pessoas com idades entre 18 e 54 anos, no período de 2011 a 2022 — sendo que as mulheres apresentaram resultados piores do que os homens.

Enquanto isso, o controle da pressão arterial nos Estados Unidos sofreu um retrocesso: entre os adultos com hipertensão, a proporção daqueles com a pressão sob controle caiu de cerca de 54% em 2013–14 para menos de 44% em 2017–18.

E os benefícios nunca foram distribuídos de forma igualitária. Um grande estudo norte-americano, que acompanhou quatro comunidades ao longo de vinte e dois anos, constatou que a taxa de novos ataques cardíacos diminuía a um ritmo mais de quatro vezes mais rápido a cada ano entre os homens brancos do que entre os homens negros.

A Rússia pós-soviética perdeu décadas de avanços na área cardiovascular em menos de dez anos — sem perder absolutamente nenhum conhecimento médico. O progresso não funciona como uma catraca.

O que seria útil agora

O resultado final

É muito menos provável que você morra de um ataque cardíaco do que seus avós, por duas razões ao mesmo tempo: a população sofre menos ataques cardíacos, e os hospitais se tornaram muito eficientes em mantê-lo vivo durante um ataque. Não foi um único avanço que causou isso. A maior parte do mérito vem da redução de três fatores de risco — tabagismo, pressão arterial e colesterol — em toda a população, em grande parte por meio de políticas públicas, e não de prescrições médicas.

A conclusão incômoda é que as vitórias fáceis já foram conquistadas. Obesidade e diabetes estão apresentando retrocessos, o controle da pressão arterial está se deteriorando e o progresso entre os adultos mais jovens estagnou. Os avanços do próximo século dependerão menos de uma nova molécula e mais de garantir que os tratamentos comprovados cheguem às pessoas que precisam deles.

Fontes e como interpretar os números

Fontes. Este é um resumo em linguagem simples de uma revisão de evidências com referências completas, baseada em 83 fontes primárias. Principais fontes: King et al., Revista da Associação Americana do Coração 2025 (tendências de mortalidade nos EUA); Ford et al., New England Journal of Medicine 2007 (modelo de atribuição IMPACT); Tunstall-Pedoe et al., Lancet 1999 (Projeto MONICA da OMS); Aspelund et al., PLoS One 2010 (Islândia); Rosamond et al., Circulação 2012 (ARIC); Satish et al., Revista da Associação Americana do Coração 2026 (jovens adultos); Colaboração dos Pesquisadores do Estudo sobre o Tratamento do Colesterol, Lancet 2010; Colaboração dos Pesquisadores de Ensaios Clínicos sobre Tratamento para Redução da Pressão Arterial, Lancet 2021.

Como interpretar os números. As porcentagens atribuídas a causas específicas provêm de modelos epidemiológicos, e não de experimentos. São as melhores estimativas disponíveis e variam de acordo com o país e o período — não devem ser consideradas medidas precisas. Os gráficos 1 e 2 utilizam dados observados; os gráficos 3 e 4 são estimativas de modelos; o gráfico 5 é uma síntese histórica ilustrativa elaborada a partir de diversas coortes e épocas de diagnóstico.

Não se trata de orientação médica. Nada do que está aqui constitui orientação para uma pessoa em particular. As decisões sobre o seu próprio tratamento devem ser tomadas em conjunto com o seu médico.

Mergulho profundo

O recuo de cem anos da doença cardíaca coronariana

O que realmente aconteceu, qual foi a contribuição da cardiologia moderna e o que deve acontecer a seguir

Uma revisão narrativa e sistemática da literatura, aproximadamente de 1925 a 2026

Peter Megdal, PhD 24 de agosto de 2026

Índice

O recuo de cem anos da doença cardíaca coronariana. 3

O que realmente aconteceu, qual foi a contribuição da cardiologia moderna e o que deve acontecer a seguir  3

Resumo executivo em linguagem simples. 3

A resposta em um parágrafo.. 4

Principais conclusões quantitativas. 5

Parte I. A história: como uma doença surgiu e desapareceu 7

Uma epidemia que precisava ser identificada antes de poder ser contabilizada (c. 1900–1949). 7

O auge e a virada (1950–1969). 7

A queda acentuada (1970–1989). 8

A consolidação farmacológica (1990–2009). 9

O impasse (2010–2026). 9

Tabela 1 — A linha do tempo de cem anos. 10

Figura 1 — Trajetória da mortalidade coronariana ajustada por idade nos EUA. 11

Figura 2 — Quando as ferramentas chegaram. 12

Parte II. Como medir o declínio de forma adequada. 13

O que a vigilância realmente revela. 14

Parte III. Por que isso aconteceu: a literatura sobre atribuição. 15

Como funcionam os modelos e o que eles podem ou não lhe dizer.. 15

O problema da contagem dupla e como ele é tratado. 16

Tempos de atraso biológico: por que as janelas de atribuição são importantes. 16

Tabela 2 — Principais estudos de atribuição. 17

Uma síntese defensável. 19

Figura 3 — Uma decomposição do concreto (EUA, 1980–2000). 20

Quais fatores de risco foram os mais importantes?. 20

Tabela 3 — Contribuição dos fatores de risco individuais. 20

Parte IV. Prevenção: o que as evidências de estudos randomizados realmente comprovam. 23

Redução da pressão arterial. 23

Redução do LDL e da apolipoproteína B. 23

Terapia antiplaquetária e o pacote de medidas de prevenção secundária. 24

Tabela 4 — Principais avanços médicos. 25

Parte V. Resgate: como o ataque cardíaco deixou de ser uma sentença de morte. 29

A equação que distingue a prevenção do socorro. 29

Tabela 5 — Sobrevivência ao infarto agudo do miocárdio ao longo das épocas. 30

As intervenções, sob uma perspectiva causal. 31

Japão: o contra-exemplo decisivo. 32

Parte VI. Revascularização: três cirurgias diferentes com um único nome. 32

Tabela 6 — Prevenção versus tratamento de emergência. 33

Parte VII. Cenários contrafactuais e vidas salvas. 35

E se uma população moderna tivesse um sistema de saúde antiquado — ou fatores de risco antigos?. 35

Quantas vidas foram salvas?. 36

Parte VIII. Experimentos naturais internacionais. 36

Finlândia e Carélia do Norte. 37

Islândia. 37

Suécia.. 37

Inglaterra e País de Gales. 37

Estados Unidos. 38

Polônia: uma experiência nacional acidental no abastecimento alimentar. 38

A Rússia e a onda pós-soviética: a experiência repetida ao contrário. 38

Países Baixos. 38

Japão.. 39

Divergência global. 39

Tabela 7 — Experimentos naturais na epidemiologia cardiovascular. 39

Parte IX. A barraca e quem ficou para trás. 40

Parte X. O que vem a seguir: fazer melhor do que estamos fazendo hoje. 41

  1. Levar em conta a exposição cumulativa ao longo da vida, e não os limites definidos para a meia-idade. 41
  2. Por fim, trate a lipoproteína (a). 42
  3. Ampliar o conjunto de ferramentas para redução de lipídios e resolver a questão da adesão ao tratamento. 42
  4. Trate diretamente o fator cardiometabólico. 42
  5. Abordar o risco inflamatório residual. 43
  6. Identifique as pessoas em risco antes do evento. 43
  7. A política demográfica continua a exercer uma influência excepcionalmente grande. 43

E, acima de tudo: colmatar a lacuna de implementação. 44

Tabela 8 — A agenda para o futuro. 44

Hierarquia de evidências e o livro-razão de evidências. 45

Registro de provas. 46

Resumos estruturados nos quais foram utilizadas evidências de nível de resumo. 50

Lacunas nas evidências e incertezas remanescentes. 51

Níveis de confiança para as principais conclusões. 52

Síntese central. 53

O resultado final. 54

Referências. 56

Resumo executivo em linguagem simples

Durante a maior parte da história da medicina, ninguém foi diagnosticado como estando morrendo de um ataque cardíaco — não porque infarto do miocárdio não ocorreu, mas porque ainda não havia sido reconhecido como uma síndrome clínica. Trombose coronária foi descrita como uma síndrome clínica em pacientes vivos apenas em 1912.[1] Em quatro décadas, tornou-se a principal causa de morte no mundo industrializado. Em mais quatro décadas, estava em franco declínio. Esse é um dos casos mais extraordinários reversões na história da medicina, e isso costuma ser mal explicado.

A versão popular — de que a cardiologia inventou estatinas e stents e, com isso, ter vencido as doenças cardíacas — está errada apenas do ponto de vista cronológico. A mortalidade por doenças coronárias nos Estados Unidos atingiu seu pico por volta de 1968 e já havia caído em cerca de um terço antes da aprovação da primeira estatina, antes de Inibidores da ECA, antes das primárias angioplastia, e antes que alguém tivesse realizado um estudo randomizado sobre aspirina no infarto agudo do miocárdio. A versão contrária — de que a queda se devia exclusivamente ao fato de as pessoas tabagismo comer menos e se alimentar melhor, com o apoio da medicina — também está errado. As terapias modernas são responsáveis por uma minoria muito significativa dessa queda e, em alguns países e épocas, por quase metade dela.

A versão correta é que duas coisas diferentes aconteceram ao mesmo tempo, e elas nunca devem ser confundidas uma com a outra:

Em primeiro lugar, menos pessoas tiveram ataques cardíacos. As populações reduziram sua exposição ao longo da vida a três dos principais fatores modificáveis responsáveis por aterosclerose: fumaça de tabaco, elevada pressão arterial, e aterogênico colesterol. Esses não são os únicos fatores causais — diabetes, a adiposidade e a disfunção metabólica também são importantes, e suas tendências têm seguido na direção errada. Parte disso se deveu ao comportamento individual, grande parte resultou de políticas públicas e da oferta alimentar, e uma parcela cada vez maior, com o passar do tempo, foi causada por medicamentos — anti-hipertensivos desde a década de 1970; as estatinas, desde meados da década de 1990.

Em segundo lugar, as pessoas que tiveram ataques cardíacos deixaram de morrer em consequência deles. Em 1960, ser internado no hospital com um infarto agudo do miocárdio significava ter uma chance de aproximadamente uma em três a uma em cinco de não sair vivo. Atualmente, a mortalidade intra-hospitalar após infarto com elevação do segmento ST em sistemas de saúde de alta renda costuma ficar em torno de 4–7%, embora esse número varie substancialmente de acordo com a composição da população de pacientes e não seja um valor universal para todos os casos de infarto agudo do miocárdio (IAM). Unidades de cuidados coronarianos, desfibrilação, reanimação cardiopulmonar, sistemas de atendimento médico de emergência, aspirina, trombólise, e foi isso que a intervenção coronariana percutânea primária conseguiu. Essas intervenções de resgate agudo melhoram principalmente a sobrevida após um evento, em vez de prevenir o primeiro infarto do miocárdio.

Ambas as conquistas reduzem a taxa de mortalidade coronariana, e a taxa de mortalidade por si só não permite determinar qual delas é a responsável. Os melhores dados internacionais sugerem que, durante as décadas em que se observou o declínio clássico, cerca de dois terços da redução na mortalidade coronariana se deveu à diminuição do número de eventos coronarianos e cerca de um terço à sobrevivência a esses eventos.

Depois, há a parte da história que ainda não foi incluída nos livros didáticos. A queda estagnou. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o progresso desacelerou drasticamente a partir de aproximadamente 2011, e entre os adultos com menos de 55 anos alguns indicadores agudos começaram a apresentar uma tendência negativa. Obesidade e o diabetes tipo 2 vêm prejudicando os resultados há trinta anos; o controle nacional da pressão arterial se deteriorou; e as conquistas fáceis obtidas com o controle do tabagismo já foram, em grande parte, aproveitadas. Os próximos cem anos de progresso não virão da repetição dos últimos cem. É provável que dependam cada vez mais do tratamento da exposição aterogênica acumulada ao longo da vida, em vez de limites de risco na meia-idade, e de lipoproteína(a) se os estudos de resultados confirmarem os benefícios, sobre a revolução cardiometabólica que está ocorrendo atualmente com incretina terapias, sobre risco inflamatório residual, e, acima de tudo, em colmatar a enorme lacuna de implementação entre o que sabemos que funciona e o que os pacientes realmente recebem.

A resposta em um parágrafo

Doença arterial coronariana aumentou ao longo da primeira metade do século XX, atingiu seu pico na década de 1960 na maioria dos países de alta renda e, em seguida, passou por uma das maiores quedas sustentadas na mortalidade já registradas para uma das principais causas de morte. Nos Estados Unidos, a taxa ajustada por idade doença cardíaca isquêmica a mortalidade caiu de De 693 para 135 mortes por 100.000 entre 1970 e 2022 — uma redução de 81% — enquanto a mortalidade classificada especificamente como infarto agudo do miocárdio diminuiu de De 354 para 40 por 100.000, uma redução de 89% [2]. Os melhores modelos de atribuição disponíveis não sustentam a ideia de que essa conquista se deva apenas à “medicina” ou apenas ao “estilo de vida”. Nos Estados Unidos e em vários países europeus, durante os principais períodos de declínio, aproximadamente O valor de 44–73% registrado no outono foi atribuído a uma mudança favorável nos fatores de risco populacionais, enquanto aproximadamente O 23–47% foi atribuído ao tratamento médico e cirúrgico; o tratamento coronariano agudo, por si só, geralmente representava apenas cerca de 4–12% da redução geral da mortalidade em modelos do tipo IMPACT [3,4,5,6,7,8]. Paralelamente, os dados do MONICA da OMS indicam que aproximadamente dois terços da redução na mortalidade coronariana nas décadas de 1980 e 1990 decorreram da diminuição do número de eventos coronarianos e um terço, da maior sobrevida após um evento, com variação substancial entre as populações [9].

A conclusão prática: grande parte da redução histórica na incidência de eventos coronarianos parece ter resultado de mudanças na exposição subjacente da população aos fatores de risco ateroscleróticos — especialmente tabagismo, pressão arterial e colesterol —, enquanto a cardiologia moderna deu uma contribuição adicional muito significativa ao reduzir clinicamente esses mesmos riscos, prevenir eventos recorrentes e transformar um ataque cardíaco de um evento com mortalidade a curto prazo de aproximadamente 20–30% em um evento que, nos sistemas de saúde contemporâneos de alta renda, apresenta uma taxa de sobrevivência muito maior.

Principais conclusões quantitativas

Pergunta A melhor síntese defensável Confiança
Em que medida a mortalidade por CHD/IHD nos EUA diminuiu? A mortalidade por doença cardíaca isquêmica, ajustada por idade, diminuiu 81% de 1970 a 2022; a mortalidade associada a infarto agudo do miocárdio (IAM) diminuiu 89%. No intervalo mais bem documentado, a mortalidade por doença cardíaca coronariana, ajustada por idade, diminuiu aproximadamente 50% entre 1980 e 2000. Séries históricas anteriores mostram que a mortalidade por doenças cardíacas atingiu um pico em meados do século, antes de iniciar um declínio contínuo. Alto
Em que medida a incidência de infarto do miocárdio diminuiu? Não existe um dado universal válido que abranja um século. O primeiro infarto do miocárdio (IM), definido por ECG no estudo de Framingham, ocorreu em cerca de 50% de 1960 a 1999; a incidência de infarto do miocárdio na Islândia diminuiu 66% de 1981 a 2006; ARIC apresentaram quedas anuais de aproximadamente 3–4% na maioria dos grupos de sexo/raça entre 1987 e 2008. O Japão demonstra que a incidência não precisa necessariamente diminuir: em Miyagi, ela aumentou de 7,4 a 27,0 por 100.000 entre 1979 e 2008. Moderado
Em quanto a taxa de letalidade da MI diminuiu? A letalidade em 30 dias, em 1 ano e em 5 anos, ajustada por idade e sexo, segundo o estudo de Framingham, diminuiu cerca de 60% de 1960 a 1999; a mortalidade intra-hospitalar em Miyagi caiu de 20,0% a 7,8% no período de 1979 a 2008. A mortalidade hospitalar pré-admissão na unidade de cuidados coronários de aproximadamente 30% em comparação com a mortalidade hospitalar contemporânea por IAM com supradepressão do segmento ST (STEMI), que é de aproximadamente 4–7%. Alto para orientação; Moderado para a magnitude entre épocas
Contribuição dos fatores de risco populacionais De modo geral ~45–70%, com estimativas individuais do IMPACT que variam de 44% (EUA) para 73% (Islândia). Moderado
Contribuição para todos os tratamentos médicos/cirúrgicos De modo geral ~25–45%, variando aproximadamente 23–47% nas principais análises do IMPACT. Moderado
Contribuição para tratamento agudo/de emergência Normalmente ~5–10% da redução total da mortalidade por doença cardíaca coronariana nos modelos de atribuição (aproximadamente 4–12% entre os países). Mas as melhorias na taxa de letalidade — para as quais as melhorias nos sistemas de atendimento de emergência contribuíram substancialmente — representam aproximadamente um terço da redução na mortalidade por doença coronariana na decomposição do tipo MONICA. Moderado
Outros/diagnóstico/contribuição para o sistema de saúde Não são identificáveis de forma independente. Os resíduos do IMPACT são comumente ~5–10%, mas esse resíduo deve não ser equiparados aos serviços médicos de emergência (EMS), ao diagnóstico ou à melhoria do sistema de saúde, pois muitos desses efeitos já estão incorporados nas estimativas de tratamento. Baixo
O progresso continuou? Não. O declínio diminuiu acentuadamente após ~2011 nos EUA e no Reino Unido e estagnou entre os adultos mais jovens, com evidências recentes de agravamento da mortalidade intra-hospitalar após um primeiro IAMCSST em adultos com idades entre 18 e 54 anos. Obesidade, diabetes e hipertensão O controle continua sendo um importante contrapeso em nível populacional. Moderado–Alto

Um ponto terminológico fundamental rege tudo o que se segue: A categoria “fator de risco” não é sinônimo de escolha pessoal de estilo de vida. A queda na prevalência do tabagismo reflete a tributação, a legislação antifumo, a restrição à publicidade, o aconselhamento médico e a decisão individual. A queda nos níveis de colesterol da população reflete a reformulação da oferta alimentar, a mudança nos hábitos alimentares e o uso de estatinas. A queda na pressão arterial reflete tanto mudanças populacionais seculares quanto a prescrição de anti-hipertensivos. As análises mais robustas separam explicitamente esses mecanismos, em vez de contabilizá-los duas vezes. No estudo sueco IMPACT, por exemplo, uma redução de 0,64 mmol/L no colesterol populacional foi decomposta em aproximadamente 5.210 mortes evitadas ou adiadas por meio de mudanças na alimentação e 810 por meio de estatinas, enquanto uma queda de 2,6 mmHg na pressão sistólica foi dividida em aproximadamente 900 mortes decorrentes de alterações seculares e 575 decorrentes do tratamento anti-hipertensivo [10].

Parte I. A história: como uma doença surgiu e desapareceu

Uma epidemia que precisava ser identificada antes de poder ser contabilizada (c. 1900–1949)

A primeira dificuldade em escrever uma história de cem anos do infarto do miocárdio é que, durante o primeiro quarto desse período, o diagnóstico praticamente não existia. A descrição da doença coronariana feita por James Herrick em 1912 trombose em pacientes vivos — fato amplamente ignorado por uma década — comprovou que uma artéria coronária obstruída artéria era uma condição da qual era possível sobreviver e, portanto, diagnosticável, em vez de ser simplesmente um achado post mortem.[1] O eletrocardiógrafo permitiu identificá-lo à beira do leito. Só então foi possível começar a contar.

O que podemos afirmar com segurança é que as doenças cardíacas se tornaram a principal causa de morte nos Estados Unidos em 1921, e que a mortalidade coronariana continuou a aumentar ao longo das décadas de 1930, 1940 e 1950. O que não podemos afirmar é em que medida esse aparente aumento se deveu a um incremento genuíno nos eventos ateroscleróticos e em que medida se deveu a um melhor reconhecimento, a um melhor registro de óbitos e ao simples fato de que as populações estavam sobrevivendo tempo suficiente — superando doenças infecciosas, a tuberculose e o parto — para, de fato, desenvolverem doença coronariana. É quase certo que foram ambos os fatores, com a adoção em massa do cigarro, tendências adversas na pressão arterial e mudanças no abastecimento alimentar provavelmente contribuindo de forma substancial — embora a determinação das causas para esse período inicial seja intrinsecamente incerta.

As opções de tratamento coronariano eficazes e baseadas em evidências eram extremamente limitadas. O tratamento padrão para o infarto agudo consistia em seis semanas de repouso absoluto, com base na teoria de que o tecido danificado miocárdio precisavam ser poupados do trabalho. Não havia monitoramento, nenhuma maneira de tratar a arritmia que matava uma parcela significativa dos pacientes nas primeiras horas, nenhuma maneira de reabrir a artéria e nenhum modelo moderno e validado de fatores de risco para a prevenção coronariana — alimentação, exercícios, tabagismo e pressão arterial já haviam sido discutidos, mas a ciência prospectiva dos fatores de risco ainda não existia. Um paciente que chegasse vivo ao hospital tinha, talvez, uma chance de duas em três a quatro em cinco de sair de lá com vida.

O auge e a virada (1950–1969)

Duas coisas precisavam acontecer para que a epidemia pudesse ser revertida, e ambas aconteceram nessa época.

O fatores de risco foram descobertos. O Estudo do Coração de Framingham, iniciado em 1948, apresentou ao mundo o próprio conceito de “fator de risco” e identificou a pressão arterial, o colesterol e o tabagismo como os principais fatores modificáveis. O Estudo dos Sete Países, de Ancel Keys, estabeleceu uma relação entre os hábitos alimentares da população, o colesterol sérico e a incidência de doenças coronárias.[11] O relatório do Cirurgião-Geral dos EUA de 1964 transformou o papel causal do tabaco em política oficial, em vez de uma mera opinião acadêmica. Nada disso serviu para tratar um único paciente. Mas tudo isso tornou possível tudo o que veio depois.

O resgate foi inventado. A unidade de cuidados coronarianos — proposta de Desmond Julian, implementada em unidades em Kansas City, Toronto, Filadélfia e Sydney no início da década de 1960 — foi uma das inovações mais significativas no tratamento agudo do infarto do miocárdio e não envolvia nenhum medicamento. A ideia por trás dela era simples: uma grande parcela das mortes precoces por infarto do miocárdio era causada por Fibrilação ventricular, a fibrilação ventricular é reversível instantaneamente se houver alguém por perto com um desfibrilador; portanto, os pacientes devem ser monitorados continuamente por pessoas treinadas para aplicar choques. A massagem cardíaca a tórax fechado foi descrita em 1960; a desfibrilação externa já havia sido demonstrada na década anterior. Séries históricas sugerem que a mortalidade hospitalar por infarto agudo do miocárdio caiu de aproximadamente 30% em direção a 15% com a chegada da unidade de cuidados coronários.[12]

A base de evidências para isso é mais fraca do que sua importância poderia sugerir — a maior parte consiste em estudos observacionais do tipo “antes e depois”, e uma linha famosa de pesquisa britânica argumentou que o atendimento domiciliar não era pior para determinados pacientes. Uma comparação prospectiva randomizada entre a admissão na unidade de cuidados coronarianos e na enfermaria geral constatou que a mortalidade geral foi de 15,31 TP9T (17/111) contra 29,31 TP9T (27/92), com o risco de morte na enfermaria geral em relação à unidade de 2,3 (95% CI 1,1–4,8), e a morte súbita é mais frequente na enfermaria geral.[13] Esse estudo clínico é de pequena escala, realizado em um único centro e conduzido em um contexto de atendimento diferente do atual, e a base de evidências mais ampla é, em grande parte, observacional;[14] mas o sinal temporal observado em muitas instituições é consistente e significativo.

Enquanto isso, surgiu uma terapia anti-hipertensiva eficaz. Os Estudos Cooperativos da Administração de Veteranos (1967, 1970) demonstraram que o tratamento da hipertensão grave e, posteriormente, da moderada, prevenia derrames, insuficiência cardíaca, e a morte — evidências randomizadas marcantes de que a modificação farmacológica de um fator de risco cardiovascular alterou os resultados clínicos.[15]

A mortalidade por doenças coronárias nos EUA atingiu seu pico por volta de 1968 e começou a cair.

A queda acentuada (1970–1989)

Essa é a época que refuta de forma mais contundente a narrativa de que “foi a cardiologia moderna que fez isso”, pois, durante a maior parte desse período, a cardiologia moderna ainda não existia. Não havia estatinas até 1987 e nenhum estudo de resultados com estatinas até 1994. Não houve nenhum estudo com inibidores da ECA na insuficiência cardíaca até 1987 nem no pós-infarto até 1992. Angioplastia com balão foi realizada pela primeira vez em 1977 e permaneceu como um procedimento de nicho por uma década. A eficácia da aspirina no infarto agudo do miocárdio só foi comprovada em 1988.

A queda foi observada antes de ser explicada. A Conferência de Bethesda de 1978, organizada pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, foi convocada especificamente para documentar e explicar uma queda inesperada na mortalidade por doenças coronárias e acidentes vasculares cerebrais nos Estados Unidos, que ninguém havia previsto e à qual ninguém ainda conseguia atribuir uma causa. Essa conferência é o ponto de partida de toda a literatura sobre atribuição analisada a seguir.[16]

No entanto, a mortalidade por doença cardíaca isquêmica ajustada por idade nos EUA, 693 por 100.000 em 1970, caiu de forma acentuada e contínua ao longo do período. O que mudou, por outro lado, foi a exposição. A prevalência do tabagismo entre os homens diminuiu substancialmente na esteira do relatório do Cirurgião-Geral e das restrições publicitárias subsequentes. O colesterol sérico diminuiu à medida que a oferta alimentar se transformou. O Programa Nacional de Educação sobre Hipertensão Arterial (1972) incorporou a detecção e o tratamento da hipertensão à rotina da atenção primária. E na Carélia do Norte, na Finlândia — que na época registrava uma das taxas de mortalidade coronariana mais altas já documentadas em qualquer lugar, particularmente entre homens em idade produtiva —, um programa de prevenção explicitamente comunitário teve início em 1972 e demonstrou que o perfil de fatores de risco de uma população poderia ser alterado de forma deliberada.

No final dessa época, a revolução terapêutica finalmente chegou, e chegou ao pronto-socorro. GISSI (1986)[17] e, em seguida, o ISIS-2 (1988)[18] demonstraram que a estreptoquinase e a aspirina, cada uma por si só, reduziam a mortalidade no infarto agudo do miocárdio e que, juntas, reduziam-na drasticamente. Os ensaios clínicos randomizados sobre cirurgia de revascularização do miocárdio, realizados entre 1972 e 1984, demonstraram que o benefício em termos de sobrevida concentrava-se na doença do tronco principal esquerdo e na doença multiarterial extensa, com pouco benefício comprovável em casos menos extensos — embora o benefício também variasse de acordo com a função ventricular esquerda e a anatomia.[19]

A consolidação farmacológica (1990–2009)

Se as décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pela prevenção populacional e pelo atendimento de emergência, esta era foi marcada pela farmacoterapia crônica e pelos sistemas de atendimento.

O estudo 4S (1994) demonstrou que a sinvastatina reduziu a mortalidade em pacientes com doença coronariana e, em uma década, as estatinas passaram a figurar entre os medicamentos mais prescritos do mundo.[20] Os inibidores da ECA passaram a ser utilizados não apenas no tratamento da insuficiência cardíaca, mas também nos cuidados pós-infarto. Os betabloqueadores, a aspirina e hipolipemiante consolidados em um pacote padrão de prevenção secundária. Os stents coronários reduziram o recuo agudo e o fechamento abrupto e diminuíram substancialmente a reestenose em comparação com a angioplastia com balão — embora a reestenose tenha sido reduzida, e não eliminada, e os stents farmacológicos tenham posteriormente reduzido ainda mais esse risco. Dupla terapia antiplaquetária reduziu substancialmente as complicações trombóticas e contribuiu para tornar a implantação rotineira de stents viável. A ICP primária substituiu progressivamente a trombólise no tratamento do infarto com elevação do segmento ST[21], e as redes organizadas para o tratamento do IAMCST — ECG pré-hospitalar, ativação do laboratório de cateterismo a partir da ambulância, medição dos tempos “da porta ao balão” — fizeram com que a reperfusão oportuna se tornasse, cada vez mais, um desafio de sistemas e logística que os sistemas de saúde poderiam otimizar.

Tanto a incidência quanto a letalidade diminuíram de forma mensurável durante esse período, e essa é a época em que a atribuição quantitativa é mais sólida, pois a adesão ao tratamento foi documentada, a eficácia dos ensaios clínicos era conhecida e a vigilância dos fatores de risco era sistemática. É também a época em que os fatores contrários se tornaram visíveis: a obesidade e o diabetes tipo 2 começaram a reduzir os resultados positivos, e muitos dos principais modelos de atribuição desse período os registraram como contribuições negativas.

O impasse (2010–2026)

A mortalidade continua bem abaixo de seu pico histórico — a mortalidade por cardiopatia isquêmica nos EUA atingiu 135 por 100.000 em 2022 — mas a trajetória mudou de caráter. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a taxa de declínio diminuiu significativamente a partir de aproximadamente 2011. Em adultos com menos de 55 anos, e especialmente entre as mulheres, o declínio de longo prazo diminuiu ou estagnou, com alguns estudos relatando tendências adversas em desfechos coronarianos específicos.[22] O fardo absoluto continua sendo enorme: os Estados Unidos registraram 915.973 mortes por doenças cardiovasculares em 2023, uma taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares ajustada por idade de 218,3 por 100.000[23], e, globalmente, o GBD 2023 estimou 19,2 milhões de mortes por doenças cardiovasculares[24], pois o crescimento populacional e o envelhecimento da população podem aumentar o número absoluto de mortes, mesmo que o risco individual ajustado pela idade diminua.

As possíveis explicações para essa estagnação são pouco lisonjeiras e, em grande parte, não relacionadas à tecnologia: obesidade e diabetes em níveis nunca antes enfrentados por nenhuma geração anterior; o esgotamento das oportunidades fáceis de redução do tabagismo em populações onde fumar já é pouco comum; e, nos Estados Unidos, uma deterioração comprovada no controle da hipertensão a partir de 53,81 TP9T (2013–2014) para 43,71 TP9T (2017–2018)[25]. A pandemia da COVID-19 provocou então uma reversão abrupta — a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares (DCV) ajustada por idade nos EUA foi de 330,8 em 2019, 346,0 em 2020 e 359,6 em 2021 por 100.000 entre adultos com 25 anos ou mais — anulando vários anos de progresso em apenas dois. Essa série abrange adultos com 25 anos ou mais e não é diretamente comparável à taxa de 218,3 por 100.000, referida acima, que se aplica a todos os adultos e foi padronizada de maneira diferente; os dois dados não devem ser interpretados como uma única tendência.

Tabela 1 — A linha do tempo de cem anos

Era Cardiopatia congênita/Infarto do miocárdio epidemiologia Evolução da população e dos fatores de risco Novidades na área médica e de emergências Interpretação probatória
1925–1949 Aumento das doenças cardíacas; dados comparativos sobre a incidência de infarto do miocárdio na população são, em grande parte, inexistentes. As doenças cardíacas tornaram-se a principal causa de morte nos EUA já em 1921. O consumo de cigarros e outras exposições coronárias prejudiciais aumentaram acentuadamente; a teoria dos fatores de risco ainda não existia. O ECG tem sido cada vez mais utilizado clinicamente; o tratamento do infarto do miocárdio consistia em repouso e cuidados de suporte. Nível 3/5. Os dados sobre mortalidade são, em geral, confiáveis; a atribuição causal é muito menos sólida do que após 1950.
1950–1969 A mortalidade por doenças cardíacas continuou elevada e atingiu seu pico nos Estados Unidos por volta de 1968. Os estudos de Framingham e dos Sete Países identificaram o tabagismo, a pressão arterial e o colesterol como fatores de risco modificáveis; relatório do Cirurgião-Geral de 1964. Desfibrilação externa, RCP, unidades de cuidados coronários, tratamento eficaz da hipertensão, primeira cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM). As unidades de cuidados coronários (UCC) estão associadas a uma redução na mortalidade hospitalar por infarto do miocárdio (IM), de aproximadamente 30% para cerca de 15%. Níveis 2 a 5. A variação na sobrevida precoce é convincente, mas, em grande parte, de natureza observacional.
1970–1989 Começa uma queda acentuada e sustentada; a mortalidade por doença isquêmica do coração (DIC), ajustada por idade, nos EUA foi de 693/100.000 em 1970. O tabagismo diminui substancialmente; a pressão arterial e o colesterol da população melhoram; a Carélia do Norte lança um programa intensivo de prevenção comunitária. Tratamento anti-hipertensivo generalizado, cirurgia de revascularização do miocárdio (CABG), angioplastia coronária percutânea (PTCA) (1977), betabloqueadores, aspirina, reabilitação cardíaca, trombólise; as primeiras estatinas no final dessa época. O estudo ISIS-2 estabelece o uso da aspirina e da estreptoquinase. Níveis 1 a 4. A prevenção populacional e a cardiologia baseada em evidências começam a contribuir simultaneamente.
1990–2009 Quedas significativas tanto na incidência de infarto do miocárdio quanto na taxa de letalidade passam a ser observadas nos estudos ARIC e Framingham. Outras melhorias relacionadas ao tabagismo, ao colesterol e à pressão arterial, cada vez mais compensadas pela obesidade e pelo diabetes. Estatinas, inibidores da ECA, stents, terapia antiplaquetária dupla, serviços médicos de emergência (SME) modernos, ICP primária como padrão de tratamento. A ICP primária apresenta melhores resultados do que a trombólise em uma síntese de estudos randomizados. Níveis 1 a 4. A era de maior destaque para a atribuição quantitativa.
2010–2026 A mortalidade está bem abaixo do pico, mas a queda se estagna; estagnação entre adultos mais jovens, com agravamento recente da mortalidade por primeiro IAM-STEMI em pacientes hospitalizados na faixa etária de 18 a 54 anos. Mortalidade por doença isquêmica do coração nos EUA 135/100.000 em 2022. O consumo de tabaco continua diminuindo em países de alta renda; a obesidade, o diabetes e o risco metabólico neutralizam os avanços; o controle da hipertensão nos EUA se deteriora. Tratamento intensivo com estatinas, ezetimiba, PCSK9 inibição, sistemas ACS otimizados, ICP radial, alta sensibilidade troponina, Agonistas do receptor do GLP-1, colchicina. Níveis 1–3. Evidências sólidas sobre a eficácia do tratamento individual; evidências muito mais fracas no que diz respeito à segmentação recente tendências nacionais.

Figura 1 — Trajetória da mortalidade coronariana ajustada por idade nos EUA

Dados observados sobre mortalidade nacional. As séries históricas e modernas não foram deliberadamente unificadas numericamente, pois os padrões de idade e a codificação das doenças sofreram alterações.

Painel A — Principais dados observados

Série Ano Taxa ajustada por idade por 100.000 Alterar
Doenças cardíacas (padrão de 1940) 1950 307.4 —
Doenças cardíacas (padrão de 1940) 1996 134.6 −56%
Doença cardíaca isquêmica (série moderna) 1970 693 —
Doença cardíaca isquêmica (série moderna) 2022 135 −81%
Infarto agudo do miocárdio 1970 354 —
Infarto agudo do miocárdio 2022 40 −89%
Todas as doenças cardiovasculares, adultos com 25 anos ou mais 2019 330.8 —
Todas as doenças cardiovasculares, adultos com 25 anos ou mais 2020 346.0 +4.6%
Todas as doenças cardiovasculares, adultos com 25 anos ou mais 2021 359.6 +8,71 TP9T em relação a 2019

Painel B — Forma da trajetória

As doenças cardíacas tornam-se a principal causa de morte nos EUA ………. 1921
A mortalidade aumenta entre ……………………………. as décadas de 1930 e 1960
PEAK (doença cardíaca coronariana) ………………………. ~1968
Queda acentuada e sustentada ……………………………. 1968-2010
A queda diminui o ritmo ou se estabiliza entre os adultos mais jovens;
determinados desfechos agudos se agravam …………………….. a partir de ~2011
Interrupção causada pela pandemia ……………………………… 2020-2021

Doença cardíaca isquêmica, ajustada por idade, por 100.000:
1970  693  ####################################
2022  135  #######

Infarto agudo do miocárdio, ajustado por idade, por 100.000:
1970  354  ##################
2022   40  ##

Fontes: análises históricas da mortalidade nacional nos EUA (CDC/NCHS)[26]; King et al. 2025[2] para as séries de IHD e AMI de 1970 a 2022.

Figura 2 — Quando as ferramentas chegaram

Cronograma aproximado de adoção clínica. As datas indicam o surgimento ou a disponibilidade de evidências importantes, e não uma única data universal de início.

Período Prevenção e tratamento de doenças crônicas Resgate agudo e sistemas
Anos 1950 Surgimento de medicamentos anti-hipertensivos eficazes Desfibrilação externa
Início da década de 1960 Estabelecimento do conceito de fator de risco (Framingham) RCP; unidades de cuidados coronarianos e monitoramento contínuo do ritmo cardíaco
Final da década de 1960 Relatório do Cirurgião-Geral de 1964 sobre o tabagismo A cirurgia de revascularização do miocárdio (CABG) passa a ser utilizada na prática clínica
Anos 1970 Betabloqueadores; Programa Nacional de Educação sobre Hipertensão Arterial; Carélia do Norte Angioplastia coronária com balão (1977); o serviço de emergência médica (SEM) se expande
Anos 1980 Introdução das estatinas (1987); formalização da reabilitação cardíaca A aspirina e a trombólise foram consolidadas no tratamento do infarto agudo do miocárdio (GISSI 1986, ISIS-2 1988)
anos 1990 Estudos de resultados com estatinas (4S 1994); baseados em inibidores da ECA prevenção secundária Stents coronários; a ICP primária substitui cada vez mais a trombólise
anos 2000 Terapia intensiva com estatinas; conceito de “polipílula” Programas de DEAs de acesso público; redes modernas de atendimento ao infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (STEMI); ECG pré-hospitalar
Década de 2010 Resultados do tratamento com ezetimiba (2015); Inibidores da PCSK9 (2017–18); Inibidores da SGLT2 Troponina de alta sensibilidade amplamente utilizada; acesso radial como padrão
década de 2020 Prevenção secundária com LDL muito baixo; colchicina; agonistas do receptor de GLP-1 (SELECT 2023); inclisiran; ácido bempedoico Sistemas integrados maduros de ACS/EMS; agentes redutores da Lp(a) em ensaios clínicos de resultados

Parte II. Como medir o declínio de forma adequada

Quase todos os equívocos comuns sobre esse assunto decorrem da confusão entre quatro grandezas diferentes. Elas estão relacionadas, mas variam de forma independente e por motivos distintos.

Incidência de eventos coronários é a frequência com que as pessoas sofrem ataques cardíacos. Taxa de letalidade é a proporção das pessoas que morrem depois de terem contraído a doença. Mortalidade por doenças cardíacas congênitas é aproximadamente o produto desses dois valores, somado aos eventos recorrentes e às mortes súbitas fora do hospital. Mortalidade cardiovascular total inclui, além disso, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e outras causas de morte vascular, sendo, portanto, um indicador mais amplo e menos específico. Uma terapia que reduza pela metade a letalidade e uma política que reduza pela metade a incidência podem resultar em quedas idênticas na mortalidade por doença cardíaca coronariana, embora representem conquistas totalmente diferentes.

Há quatro ressalvas metodológicas que se aplicam ao longo de todo o texto.

A padronização por idade é obrigatória. As taxas brutas de mortalidade em uma população que envelhece podem aumentar, enquanto o risco individual diminui acentuadamente. Todas as afirmações sobre tendências nesta revisão são ajustadas por idade ou específicas por faixa etária, a menos que explicitamente indicado de outra forma. É também por isso que o número absoluto de mortes cardiovasculares em todo o mundo continua a aumentar, enquanto as taxas padronizadas por idade diminuem.

Os critérios diagnósticos mudaram repetidamente, e isso não é um detalhe insignificante. O infarto do miocárdio passou por sucessivas biomarcador épocas: AST, LDH e CK total na década de 1970; ensaios de massa e atividade da CK-MB nas décadas de 1980 e 1990; troponina I e T cardíacas convencionais no início dos anos 2000; e ensaios de troponina de alta sensibilidade a partir da década de 2010 — somados às sucessivas Definições Universais de IM (2000, 2007, 2012, 2018).[27] À medida que o limite analítico de detecção passou de microgramas para subnanogramas por litro, os aumentos nos níveis de troponina passaram a ser detectáveis em pacientes que, anteriormente, não atendiam a nenhum critério de biomarcador. Essas categorias devem ser mantidas distintas. Lesão miocárdica — qualquer elevação da troponina acima do 99º percentil — não constitui, por si só, infarto do miocárdio; só se torna infarto quando acompanhada de evidência clínica de infarto agudo do miocárdio isquemia. Infarto do miocárdio tipo 1 reflete aterotrombose; infarto do miocárdio tipo 2 requer um aumento e/ou uma queda acentuada da troponina além disso evidência clínica de isquemia decorrente de desequilíbrio entre oferta e demanda; e lesão miocárdica não isquêmica (sepse, miocardite, doença renal, insuficiência cardíaca) continua sendo uma lesão e não constitui, de forma alguma, um infarto do miocárdio. O que a mudança no ensaio fez foi ampliar a população na qual a troponina é mensurável e apresenta valores anormais, aumentando o número de diagnósticos registrados de NSTEMI e, ao mesmo tempo, aumentando o reconhecimento de lesões que não são infartos. Isso é às vezes chamado de diagnóstico induzido pela troponina reclassificação, e isso tem dois efeitos opostos: isso, de fato, aumenta incidência de NSTEMI registrada em bancos de dados administrativos, e isso abaixa taxa de letalidade agregada aparente, ao ampliar o denominador com pacientes de menor risco. Quando algoritmos históricos padronizados são aplicados longitudinalmente — critérios rigorosos de ECG com onda Q e limites constantes para biomarcadores, como no estudo MONICA —, o declínio no número de infartos padronizados definidos por ECG parece mais íngreme do que os dados brutos da codificação administrativa sugerem. O estudo de Framingham demonstrou diretamente a magnitude desse fenômeno: entre 1960 e 1999, A incidência de infarto do miocárdio (IM) definida por ECG caiu cerca de 50%, enquanto os infartos detectados predominantemente por meio de biomarcadores cada vez mais sensíveis praticamente dobraram.[28] Estudos de vigilância que se baseiam em critérios de ECG ou que se ajustam explicitamente à era dos biomarcadores — Framingham, ARIC, MONICA — merecem, portanto, muito mais peso do que os dados não ajustados de codificação de altas hospitalares.

Os riscos concorrentes são importantes. À medida que o câncer, o AVC e outras causas de morte sofrem alterações, a população em risco de morte por doença coronariana também se transforma. A queda na mortalidade coronariana redistribui, em parte, as mortes para outras causas e para idades mais avançadas, em vez de eliminá-las; “mortes evitadas ou adiadas” é a expressão cientificamente correta.

Não existe uma série de dados sobre a incidência de infarto do miocárdio que abranja um século, e ela não deve ser inventada. A verdade é que a vigilância confiável da incidência nacional teve início nas décadas de 1960 a 1980, dependendo do país, e que tudo o que antecede esse período se resume a dados de mortalidade e inferências.

O que a vigilância realmente revela

Estados Unidos, mortalidade. A mortalidade por doença cardíaca isquêmica, ajustada por idade, caiu de 693 para 135 por 100.000 entre 1970 e 2022 (−81%), e a mortalidade codificada como IAM, de 354 para 40 (−89%) [2]. Nesse período, o intervalo mais bem documentado é o de 1980–2000, durante o qual as taxas de mortalidade por doença cardíaca coronariana (DCC), ajustadas por idade, caíram de De 542,9 para 266,8 por 100.000 nos homens e de 263,3 para 134,4 nas mulheres [3]. Utilizando o padrão de idade mais antigo, de 1940, a mortalidade por “doenças cardíacas” caiu de De 307,4 por 100 mil em 1950 para 134,6 em 1996; esses valores não devem ser numericamente interpolados nas séries modernas da norma 2000.[26]

Estados Unidos, incidência e taxa de letalidade. O estudo de Framingham, que acompanhou 9.824 participantes ao longo de 212.539 anos-pessoa, constatou que a incidência de primeiro infarto do miocárdio (IM), definida por ECG, diminuiu aproximadamente 50% de 1960 a 1999, enquanto a taxa bruta de letalidade em 30 dias passou de 20% para 14%, em um ano, de 24% para 21%, e em cinco anos, de 45% para 41%; após o ajuste por idade e sexo, a letalidade nos três horizontes diminuiu em cerca de 60% [28]. O estudo ARIC, que acompanhou quatro comunidades dos EUA entre 1987 e 2008 com ajuste explícito por biomarcadores para a transição da enzima para a troponina, constatou que a incidência de infarto do miocárdio com hospitalização diminuía anualmente em cerca de 4,31 TP9T entre homens brancos, 3,81 TP9T entre mulheres brancas, 3,41 TP9T entre mulheres negras — mas apenas 1,51 TP9T entre homens negros, com a taxa de letalidade em 28 dias diminuindo aproximadamente 2,6–3,61 TP9T por ano por grupo [29]. O estudo ARIC também constatou que os próprios infartos se tornaram menores e menos graves com o passar do tempo.[30]

Fardo contemporâneo. Apesar da queda, os Estados Unidos registraram 915.973 mortes por doenças cardiovasculares em 2023, com uma taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares ajustada por idade de 218,3 por 100.000 contra 224,3 em 2022.[23] Globalmente, o GBD estimou aproximadamente 9,0 milhões de mortes por doença cardíaca isquêmica em 2021 com uma taxa de mortalidade por doença cardíaca isquêmica (DCI) padronizada por idade de cerca de 108,7 por 100.000, o que representa aproximadamente 32%: queda na taxa padronizada por idade desde 1990 — e 19,2 milhões de mortes cardiovasculares no total em 2023.[24] O risco padronizado por idade está diminuindo; a carga absoluta, não.

Parte III. Por que isso aconteceu: a literatura sobre atribuição

Como funcionam os modelos e o que eles podem ou não lhe dizer

A resposta direta mais contundente à pergunta “quanto se deveu ao tratamento e quanto à prevenção” vem de Modelos do tipo IMPACT, desenvolvido por Capewell e colegas a partir de 1996 e aplicado em mais de vinte países[3,4]. O método considera as mudanças observadas nos fatores de risco da população, a adesão observada ao tratamento, as estimativas de eficácia derivadas de ensaios clínicos, o número de pacientes e a letalidade, e analisa quantas “mortes evitadas ou adiadas” em relação a um ano de referência podem ser atribuídas a cada componente. Foi demonstrado que os modelos explicam a maior parte da variação observada na mortalidade na Inglaterra, Escócia, Irlanda, Nova Zelândia, Finlândia, Suécia e nos Estados Unidos, no sentido de que a soma dos componentes modelados normalmente reproduz 85–100% da variação observada. Trata-se de calibração e contabilização interna, não de validação independente da própria atribuição causal: um modelo pode reproduzir um total agregado, mas alocá-lo incorretamente entre os componentes.

São os seguintes: Modelos de atribuição de Nível 4 que incorporam magnitudes de efeito causal estimadas externamente, e não por meio de experimentos randomizados, e as porcentagens que elas geram dependem do modelo. Seu valor reside no fato de que a mesma conclusão geral se repete em populações com histórias muito diferentes: A mudança nos fatores de risco costuma explicar um pouco mais do declínio na mortalidade do que o tratamento, mas ambos são significativos.

O problema da contagem dupla e como ele é tratado

Essa é a questão metodológica mais importante da área, e é nesse ponto que a maioria das análises superficiais falha. A queda na pressão arterial média da população é causada, em parte, pelos medicamentos anti-hipertensivos[10], em parte pela alimentação e pela ingestão de sódio, em parte pelo peso corporal e em parte por outras influências seculares. A queda nos níveis de colesterol da população deve-se, em parte, às estatinas, em parte às mudanças na alimentação e, em parte, à remoção das gorduras trans do abastecimento alimentar. Se você atribuir ao “medicamento” o efeito da droga e, separadamente, ao “estilo de vida” toda a mudança observada nos fatores de risco, você terá contabilizado a mesma melhoria biológica duas vezes.

Bem implementado Modelos IMPACT abordar essa questão de três maneiras. Primeiro, em implementações bem especificadas, como a análise sueca, os indivíduos que recebem um tratamento relevante são excluídos do cálculo do fator de risco populacional; assim, a redução do colesterol em um paciente tratado com estatinas é atribuída às estatinas, e não à “dieta”. Esse tratamento é específico da implementação e não é aplicado de forma idêntica em todos os modelos do IMPACT. Em segundo lugar, os benefícios de terapias concomitantes são combinados multiplicativamente, em vez de somados, utilizando a abordagem de Mant–Hicks, de modo que um paciente em tratamento com aspirina, um betabloqueador e uma estatina não recebe o crédito pela soma aritmética dos três risco relativo reduções. Em terceiro lugar, as populações de tratamento que se sobrepõem são explicitamente enumeradas e ajustadas.

A análise sueca é o exemplo prático mais transparente. Entre 1986 e 2002, colesterol total caiu 0,64 mmol/L na população sueca. O modelo atribuiu aproximadamente 5.210 mortes evitadas ou adiadas graças à mudança na alimentação e 810 graças às estatinas. A redução do tabagismo foi responsável por cerca de 1.195 mortes. Uma queda de 2,6 mmHg na pressão sistólica foi dividida em aproximadamente 900 mortes decorrentes de alterações seculares e 575 decorrentes do tratamento anti-hipertensivo. Cerca de três quartos da redução da mortalidade atribuída aos três principais fatores de risco ocorreram entre pessoas sem diagnóstico de doença coronariana — ou seja, em prevenção primária.[10]

Os modelos também se aplicam descontos por conformidade para refletir a persistência no mundo real, em vez de uma simulação adesão — partindo do pressuposto convencional de adesão de 100% durante a internação hospitalar aguda, de aproximadamente 70% em pacientes ambulatoriais sintomáticos e de aproximadamente 50% em populações assintomáticas em prevenção primária. Isso é importante: aplicar a eficácia dos ensaios clínicos aos dados de prescrição sem fazer ajustes sistemáticos superestima a parcela de tratamento.

A contagem dupla residual continua sendo possível mesmo em boas implementações, e isso é uma limitação reconhecida, e não um problema resolvido.

Tempos de atraso biológico: por que as janelas de atribuição são importantes

Outra complicação raramente abordada de forma explícita é que diferentes intervenções atuam em escalas de tempo distintas; assim, o mesmo período do calendário pode favorecer ou prejudicar uma determinada intervenção, dependendo de quando ela foi adotada.

Semanas a meses. A cessação do tabagismo e a terapia antiplaquetária reduzem rapidamente o risco coronariano — antes de alterações anatômicas significativas placa seria de se esperar uma mudança.

De um a dois anos. A redução farmacológica dos níveis de lipídios resulta em curvas de eventos de separação em ensaios clínicos randomizados em um período de aproximadamente 12 a 18 meses[31], o que ocorre antes do que seria de se esperar em relação a grandes alterações na geometria luminal — o mecanismo é geralmente atribuído a estabilização da placa em vez de regressão anatômica, embora os dados dos ensaios clínicos comprovem o efeito no desfecho, e não o mecanismo.

Décadas. Acumulado ApoB exposição[32] e o impacto da pressão arterial a longo prazo atuam ao longo de décadas, influenciando o desenvolvimento da aterosclerose e as lesões vasculares. Essa é a escala de tempo em que a redução dos níveis de colesterol na população nas décadas de 1970 e 1980 ocorreu — e é por isso que um modelo que compare 1980 com 2000 pode capturar o consequência em termos de mortalidade de uma mudança na alimentação que havia começado duas décadas antes, ao mesmo tempo em que a atribuía a um período errado.

Tabela 2 — Principais estudos de atribuição

Estudo / população Período Declínio observado na mortalidade por doença cardíaca coronariana Contribuição dos fatores de risco Contribuição para o tratamento Outros / sem explicação Acesso, nível, identificador
Ford et al., Estados Unidos 1980–2000 Homens 542,9→266,8/100 mil; mulheres 263,3→134,4; 341.745 mortes a menos em 2000 44% 47% ~9% Texto completo revisado; Nível 4. NEJM 2007; DOI 10.1056/NEJMsa053935; PMID 17554120[3]
Unal et al., Inglaterra e País de Gales 1981–2000 −62% homens, −45% mulheres; 68.230 mortes a menos 58% 42% Modelo praticamente concluído após tendências adversas Resumo revisado; Nível 4. Circulação 2004; PMID 14993137[4]
Laatikainen et al., Finlândia 1982–1997 −63% 53–72% 23% Resíduo/incerteza do modelo Resumo revisado; Nível 4. Am J Epidemiol 2005; DOI 10.1093/aje/kwi274; PMID 16150890[5]
Björck et al., Suécia 1986–2002 −53,41 TP9T (homens), −52,01 TP9T (mulheres); 13.180 mortes a menos 55% 36% ~9% Resumo + texto completo de acompanhamento disponível; Nível 4. DOI 10.1093/eurheartj/ehn554; PMID 19141562[6]
Aspelund et al., Islândia 1981–2006 −80%; incidência de infarto do miocárdio −66% 73% (sensibilidade 54–93%) 25% (8–40%) ~2% Resumo/resultados revisados, abrir o texto completo; Nível 4. DOI 10.1371/journal.pone.0013957; PMID 21103050[7]
Impacto na Irlanda 1985–2000 −47% 48.1% 43.6% ~8.3% Resumo revisado; Nível 4. PMID 16537349[8]
Bandosz et al., Polônia 1991–2005 −54%; 26.200 mortes a menos em 2005 54% (colesterol/gordura alimentar 39%, atividade física 10%, tabagismo entre os homens 15%) 37% Resto Resumo revisado; Nível 4. BMJ 2012
Koopman et al., Países Baixos 1997–2007 −48% (269→141/100.000); cerca de 11.200 mortes a menos ~36% (SBP 30%, colesterol 10%, tabagismo 5%) ~37% ~27% (modelo explicado ~72%) Resumo revisado; Nível 4. PLoS One 2016
Carélia do Norte (dentro da comunidade) 1972–1986 Reduzida substancialmente a incidência precoce de doença cardíaca isquêmica As mudanças observadas nos três principais fatores de risco previram a grande maioria do declínio precoce da incidência, superando em muito a área de referência (a atribuição exata da porcentagem requer verificação das fontes primárias) Não atribuído separadamente — Nível 2/4 experimento natural. Int J Epidemiol 1989; DOI 10.1093/ije/18.3.595[35]

Essas porcentagens não devem ser calculadas como uma média para formar uma constante universal. Essas diferenças se devem ao fato de que a prevalência inicial de tabagismo, colesterol e hipertensão variava; à variação na adesão ao tratamento; ao fato de os países terem sido estudados em diferentes fases da difusão tecnológica; às diferenças nas faixas etárias; e ao fato de os modelos incluírem componentes um pouco diferentes. A Inglaterra e o País de Gales parecem apresentarem um quadro dominado pelo tabagismo porque a epidemia de tabagismo britânica foi excepcionalmente grave e sua reversão, excepcionalmente rápida. Os Estados Unidos apresentam a maior proporção de tratamento, em parte porque foram estudados precisamente nas décadas em que a adesão ao tratamento nos Estados Unidos cresceu mais rapidamente.

Uma síntese defensável

Para os países de alta renda, durante o principal declínio ocorrido entre as décadas de 1970 e 2000:

  • Variação dos fatores de risco populacionais: aproximadamente 45–70%
  • Tratamento preventivo e de doenças crônicas (incluindo prevenção secundária, tratamento da insuficiência cardíaca, tratamento da hipertensão e do perfil lipídico, revascularização para casos crônicos angina): aproximadamente 15–40%
  • Tratamento imediato de infarto agudo do miocárdio (IAM)/síndrome coronariana aguda (SCA): aproximadamente 5–10%, ocasionalmente até cerca de 12%
  • Resíduo explícito do modelo: de alguns por cento a ~10%

A comparação entre o grupo A e o tratamento total é muito mais robusta do que a subdivisão B/C, que não é padronizada entre os estudos. Especificamente para os Estados Unidos, a parcela de tratamento total 47% publicada incluiu 10% para o tratamento inicial do IAM e angina instável, permitindo uma versão específica para os EUA — não é universal — reclassificação de aproximadamente 44% A, 37% B, 10% C, 9% D. O número 37% é um reclassificação do autor obtida por subtração a partir de Ford et al., que não é uma categoria publicada nesse artigo.

Figura 3 — Uma decomposição do concreto (EUA, 1980–2000)

Estimativa do modelo, não uma decomposição aleatória, nem um gráfico circular universal de cem anos.

Risco populacional-variação do fator de risco populacional 44% ######################
B Tratamento preventivo / crônico*    37% ###################
C IM agudo inicial / angina instável 10% #####
D Inexplicável / resíduo do modelo 9% ####

* RECLASSIFICAÇÃO DO AUTOR, não é uma categoria publicada.
B = tratamento total publicado 47% menos o 10% publicado
componente de infarto agudo do miocárdio (IAM) / angina instável. Portanto, inclui
prevenção secundária, tratamento da insuficiência cardíaca, hipertensão
tratamento e revascularização na angina crônica — não apenas
medicamentos que previnem um primeiro infarto do miocárdio.

Na categoria de casos agudos, Ford e seus colegas calcularam, separadamente, que Os tratamentos iniciais do infarto agudo do miocárdio, por si só, foram responsáveis por cerca de 21.570 mortes evitadas ou adiadas, o que representa 6,3% da redução total, com limites de sensibilidade de 2.6–11.0%.[3] Essa é a correção mais útil à intuição de que a angioplastia de emergência explica a queda na mortalidade coronariana em nível populacional. Em nível populacional, isso claramente não ocorre — por mais dramático que seja seu efeito no paciente específico que está diante de você.

Quais fatores de risco foram os mais importantes?

Os mesmos três fatores de risco se repetem — colesterol, tabagismo e pressão arterial —, mas sua classificação varia drasticamente de acordo com o histórico local. No modelo dos EUA para o período de 1980 a 2000, a redução do colesterol total foi responsável por 24% da queda, a redução pressão arterial sistólica 20%, menor prevalência de tabagismo 12% e redução da inatividade física 5%; o aumento do IMC e da diabetes anularam ganhos equivalentes a 8% e 10% respectivamente. Na Islândia, o colesterol, o tabagismo e a pressão arterial contribuíram com 32%, 22% e 22%. Na Inglaterra e no País de Gales, apenas o tabagismo foi responsável por 48%.[4]

Tabela 3 — Contribuição dos fatores de risco individuais

Fator de risco Variação média aproximada da população (ver nota) Proporção aproximada da redução observada na mortalidade por doença cardíaca coronariana nas principais análises do estudo IMPACT Interpretação Confiança
Redução do colesterol total na população (refletindo, em parte, uma menor exposição a lipoproteínas aterogênicas) Declínio secular substancial nos Estados Unidos e em outras séries de países de alta renda Sobre 10–45%: EUA 24%, Islândia 32%, Irlanda 30,2%, Polônia 39%; predominante na Suécia Um dos maiores fatores cumulativos, embora a classificação varie de acordo com o país. A proporção atribuível ao ambiente alimentar em comparação com a medicação varia significativamente de acordo com a época — predominantemente não relacionada às estatinas e provavelmente associada de forma substancial às mudanças na alimentação e no abastecimento alimentar antes de meados da década de 1990, tornando-se cada vez mais farmacológica a partir de então. Moderado–Alto
Redução do tabagismo A prevalência entre adultos nos EUA caiu de aproximadamente 42% em 1965 para aproximadamente 12% nos últimos anos Aproximadamente 9–48%: EUA 12%, Islândia 22%, Irlanda 25,6%, Inglaterra/País de Gales 48% Enorme heterogeneidade que reflete diferentes epidemias iniciais e ritmos de combate ao tabagismo. É o fator de risco com a relação causal mais bem estabelecida entre todos. Alto para a causalidade; Moderado para atribuição exata
Redução da pressão arterial A pressão sistólica média diminuiu significativamente em muitas populações de alta renda Aproximadamente 6–22%: EUA 20%, Islândia 22%, Inglaterra/País de Gales 9,5%, Irlanda 6% Inclui o declínio secular da população, a menos que os efeitos dos medicamentos tenham sido considerados separadamente, como na Suécia. Alto para a causalidade; Moderado para dados históricos sobre as ações
Atividade física / inatividade Relato de uma redução modesta na prevalência da inatividade Normalmente 1–10% onde foram modelados; EUA 5%, Polônia 10% Os dados de autoavaliação e de vigilância secular são consideravelmente mais limitados do que no caso do tabagismo, da pressão arterial ou do colesterol. Baixo–Moderado
Dieta independente do colesterol e da pressão arterial Não quantificado separadamente Não é seguro somá-los quanto às contribuições relacionadas ao colesterol e à pressão arterial A análise sueca atribuiu a maior parte do benefício relacionado ao colesterol à alimentação. Considerando a “alimentação” além disso A redução do colesterol provocada por isso resulta em uma contagem dupla de uma via biológica. Moderado
Obesidade O IMC médio aumentou substancialmente; a obesidade entre adultos nos EUA ultrapassou 42% em 2020 Negativo: de −1,51 TP9T a −81 TP9T em todos os modelos; o aumento do IMC nos EUA representou uma carga adicional equivalente a 8% da queda que, de outra forma, teria ocorrido A obesidade atenuou o declínio; não foi ela que o causou. Moderado
Diabetes A prevalência diagnosticada nos EUA aumentou várias vezes, ultrapassando 11% Negativo: de −2% a −10% em todos os modelos; compensação nos EUA equivalente a 10% O aumento dos casos de diabetes impediu que a mortalidade coronariana diminuísse ainda mais. Moderado–Alto

Nota sobre a segunda coluna: trata-se de resumos da ordem de grandeza das mudanças seculares extraídos de diferentes séries nacionais, faixas etárias e períodos (predominantemente dados dos EUA e de outros países de alta renda). Seu objetivo é transmitir a tendência e a escala aproximada, e não servir como medidas agregadas a partir de um único conjunto de dados; portanto, não devem ser citados como valores populacionais precisos.

Uma observação merece destaque, pois é decisiva para toda a argumentação: A redução substancial dos níveis de colesterol na população antecedeu o uso generalizado das estatinas — as estatinas só chegaram ao mercado em 1987 e não foram amplamente utilizadas na prevenção primária até o final da década de 1990. Um fator importante parece ter sido a mudança na composição das gorduras da dieta e no abastecimento alimentar — a substituição de gorduras poliinsaturadas e gorduras monoinsaturadas em relação às gorduras animais saturadas e, posteriormente, a eliminação regulatória das gorduras industriais gorduras trans, começando pela Dinamarca em 2003 e seguido pela regulamentação da UE e pela revogação do status GRAS pela FDA dos EUA[36]. Nos modelos IMPACT, as reduções do colesterol na população representaram aproximadamente 24–39% da redução total observada em vários países; nos casos em que a análise foi explicitamente detalhada, grande parte da contribuição anterior ao uso das estatinas foi atribuída a mudanças não farmacológicas, enquanto as estatinas contribuíram com apenas alguns pontos percentuais para a variação nos níveis de colesterol da população até o ano 2000.

Da mesma forma, uma parcela substancial da redução da pressão arterial observada em toda a população ocorreu em pessoas que não tomavam medicamentos anti-hipertensivos. Os mecanismos por trás desse componente não farmacológico não estão claramente definidos na literatura e não devem ser atribuídos com segurança a nenhuma causa alimentar ou ambiental específica.

Vale a pena reiterar a distinção em que o documento insiste: trata-se de exposições da população, e não categorias morais. A tributação do tabaco, a legislação antifumo, a eliminação industrial das gorduras trans, a reformulação do teor de sódio em alimentos processados e mudanças mais amplas na disponibilidade e composição dos alimentos não são “escolhas de estilo de vida”. São intervenções políticas e na cadeia de abastecimento que alteraram a distribuição do risco em populações inteiras e pertencem à coluna dos fatores de risco, ao lado da mudança de comportamento individual.

Parte IV. Prevenção: o que as evidências de estudos randomizados realmente comprovam

A atribuição histórica questiona o que fez ocorra em uma população. Os ensaios clínicos randomizados respondem à questão complementar de como um tratamento lata causa nos pacientes que o recebem. Essas são questões diferentes e nunca devem ser confundidas. Um medicamento pode ser extremamente eficaz para um paciente específico e, mesmo assim, não explicar quase nada do declínio histórico da mortalidade, simplesmente porque ainda não estava disponível quando esse declínio ocorreu.

Redução da pressão arterial

A Colaboração dos Pesquisadores de Ensaios Clínicos para Redução da Pressão Arterial (Blood Pressure Lowering Treatment Trialists’ Collaboration) reuniu dados individuais dos participantes de 344.716 participantes em 48 ensaios clínicos randomizados. Para cada Redução de 5 mmHg na pressão sistólica, os eventos cardiovasculares graves diminuíram em cerca de 10%: razão de riscos 0,91 (IC 95% 0,89–0,94) em participantes sem histórico prévio de doença cardiovascular e 0.89 (0.86–0.92) em pessoas com histórico da doença. O benefício foi observado em todos os estratos de pressão arterial basal, inclusive em pessoas cuja pressão não era convencionalmente considerada “hipertensa” [37] (Nível 1). As estimativas dos componentes deste estudo e de trabalhos relacionados do BPLTTC indicam reduções de aproximadamente 13% para acidente vascular cerebral, 7% para doença cardíaca isquêmica, 14% para insuficiência cardíaca e 5% para morte cardiovascular a cada 5 mmHg.

Isso confere uma interpretação causal à associação histórica. Parte do ganho em termos de mortalidade atribuído à “mudança na pressão arterial” nos modelos de atribuição deveu-se, de fato, aos medicamentos; outra parte, a mudanças populacionais de longo prazo. A Suécia é um caso valioso justamente porque tentou separar esses dois fatores.

Redução do LDL e da apolipoproteína B

O Estudo Escandinavo de Sobrevivência com Simvastatina (4S, 1994) marcou o início dessa era, reduzindo mortalidade por todas as causas por 30% e a mortalidade coronariana por 42% em pacientes com doença coronariana comprovada[20] — uma demonstração marcante de que a redução do colesterol mediada pelas estatinas prolongou a vida, em vez de se limitar a alterar um valor laboratorial.

A Colaboração de Pesquisadores de Tratamentos para o Colesterol (Cholesterol Treatment Trialists’ Collaboration) então quantificou essa relação. Em 26 ensaios clínicos e com aproximadamente 170 mil participantes, cada Redução de 1,0 mmol/L (38,7 mg/dL) no LDL-C produziu um 22% redução nos eventos vasculares graves (RR 0,78; IC 95% 0,76–0,80), um Redução de 20% na mortalidade coronariana (RR 0,80; IC 99% 0,74–0,87), e um 10% redução na mortalidade por todas as causas (RR 0,90; IC 95% 0,87–0,93) — sendo que este último se deveu inteiramente a mortes por causas vasculares, sem que se observasse um aumento na mortalidade por câncer ou por causas não vasculares.[31] No nível do participante individual metanálise de 27 ensaios clínicos randomizados com foco em participantes de menor risco, a razão de taxas para eventos vasculares graves foi 0,79 (IC 95% 0,77–0,81) por 1,0 mmol/L; entre os participantes sem doença vascular prévia, a mortalidade vascular diminuiu com o RR 0.85 (0.77–0.95) e mortalidade por todas as causas com RR 0.91 (0.85–0.97) por 1 mmol/L [38] (Nível 1). O benefício proporcional é notavelmente consistente independentemente do risco basal, da idade e do sexo, e não foi demonstrado nenhum limiar mínimo para o benefício dentro dos intervalos testados em ensaios clínicos randomizados.

Estudos com medicamentos que não são estatinas confirmam que o benefício acompanha a magnitude de LDL uma redução, em vez de representar uma propriedade idiossincrática das estatinas. Em IMPROVE-IT, adicionando ezetimiba após síndrome coronariana aguda reduziu a taxa composta de eventos em sete anos de 34,7% para 32,7%, RH 0,936 (IC 95% 0,89–0,99) [39]. Em Fourier, evolocumabe reduziu o índice composto primário de 11,31 TP9T para 9,81 TP9T, RH 0.85 (0.79–0.92), e morte cardiovascular/infarto do miocárdio/acidente vascular cerebral decorrente de 7,41 TP9T para 5,91 TP9T, RH 0.80 (0.73–0.88) [40]. Em ODISSEIA RESULTADOS, alirocumabe após a redução da ACS eventos cardiovasculares adversos maiores de 11,11 TP9T a 9,51 TP9T, RH 0.85 (0.78–0.93) [41]. Todos são Nível 1.

É aqui que a cronologia é mais importante. Essas terapias estão entre as ferramentas mais importantes da prática médica contemporânea e não podem ser responsabilizadas retrospectivamente por um declínio que teve início décadas antes de elas existirem. O modelo islandês, que abrange o período de 1981 a 2006, atribuiu apenas 0,5% da redução histórica da mortalidade associada ao tratamento com estatinas ao atribuir 32% para a redução geral do colesterol[7] — pois, durante a maior parte desse período, a redução do colesterol na população ocorreu, em grande parte, sem o uso de medicamentos e, provavelmente, esteve substancialmente relacionada a mudanças na alimentação e no abastecimento alimentar. A interpretação correta não é que as estatinas não sejam importantes; é que as estatinas são importantes agora, e estavam praticamente ausentes então. Qualquer análise que atribua às estatinas o declínio observado no século XX está interpretando a linha do tempo de maneira equivocada.

Terapia antiplaquetária e o pacote de medidas de prevenção secundária

O estudo ISIS-2 continua sendo um dos resultados mais conclusivos da medicina cardiovascular. Entre 17.187 pacientes com suspeita de infarto agudo do miocárdio, a estreptoquinase isoladamente reduziu a mortalidade vascular em cinco semanas de 12.0% a 9.2%; apenas aspirina a partir de 11,81 TP9T para 9,41 TP9T; e a combinação a partir de aproximadamente 13,21 TP9T para 8,01 TP9T, uma redução na probabilidade de cerca de 42% [18] (Nível 1). O fato de um medicamento que custa apenas alguns centavos ter gerado um benefício em termos de mortalidade dessa magnitude continua sendo um contraponto útil ao entusiasmo terapêutico por alternativas caras.

No que diz respeito ao uso crônico, a Antithrombotic Trialists’ Collaboration estabeleceu uma distinção decisiva entre os contextos de prevenção. Em prevenção secundária, a aspirina reduziu os eventos vasculares graves em 19% (6,71 TP9T contra 8,21 TP9T por ano), com o benefício absoluto superando substancialmente o risco de sangramento. Em prevenção primária, a redução foi de apenas 12% em eventos vasculares graves (0,511 TP9T contra 0,571 TP9T por ano), impulsionados inteiramente pelo infarto do miocárdio não fatal, sem efeito significativo sobre a mortalidade vascular e compensados por aproximadamente um 42%: aumento de hemorragias gastrointestinais e extracranianas graves[42]. É por isso que as diretrizes atuais deixaram de recomendar o uso rotineiro de aspirina para prevenção primária — um raro exemplo em que as evidências científicas restringiram, em vez de ampliar, uma indicação.

Estima-se, em modelos de atribuição, que a prevenção secundária combinada orientada por diretrizes — agente antiplaquetário, estatina, inibidor da ECA ou BRA e betabloqueador — produza uma redução cumulativa substancial do risco relativo quando os componentes são combinados de forma multiplicativa, em vez de aditiva. Os números compostos publicados devem ser tratados como estimativas modeladas que agrupam desfechos heterogêneos e épocas de ensaios clínicos, e não como uma quantidade medida. A adesão na prática clínica a regimes com múltiplos medicamentos diminui significativamente ao longo dos anos após a alta hospitalar, o que constitui a justificativa para o uso do “polypill”.

No nível populacional, a prevenção secundária pacote contribuiu de forma substancial. Nos Estados Unidos, as terapias administradas após um infarto do miocárdio (IM) ou revascularização representaram aproximadamente 11% da redução total das mortes por doença cardíaca coronariana no período de 1980 a 2000 — mais do que apenas o tratamento inicial do infarto agudo do miocárdio. Estudos clínicos recentes sobre a terapia combinada de dose fixa confirmam o valor desse pacote de medidas e demonstram a importância da adesão ao tratamento como um dos principais fatores limitantes modificáveis: o SEGURO estudo clínico de um polipílula pós-infarto do miocárdio (aspirina, ramipril, atorvastatina) reduziu o desfecho composto primário em 24% (HR 0,76; IC 95% 0,60–0,96) e a morte cardiovascular em 33% (HR 0,67; 0,47–0,97) [43]

Tabela 4 — Principais avanços médicos

Intervenção Era da adoção / era das evidências Efeito sobre a incidência de infarto do miocárdio Efeito sobre a mortalidade por infarto do miocárdio Provas e identificador
Terapia anti-hipertensiva Em uso desde a década de 1960; generalizou-se a partir da década de 1970 Prevenção rigorosa: ~9–11% de redução no risco de eventos cardiovasculares graves para cada redução de 5 mmHg na PAS Reduz os eventos vasculares fatais e não fatais; contribuição populacional histórica significativa Nível 1 Meta-análise de ensaios clínicos randomizados. DOI 10.1016/S0140-6736(21)00590-0; PMID 33933205[37]
Estatinas Lançado em 1987; evidências de resultados em 1994; adoção em massa no final da década de 1990 e na década de 2000 Prevenção rigorosa: RR 0,79 (0,77–0,81) eventos vasculares graves por cada redução de 1 mmol/L de LDL; ~22% por mmol/L ao longo de todo o programa Benefício em termos de mortalidade vascular e por todas as causas em populações adequadas Nível 1 Meta-análise do IPD. DOI 10.1016/S0140-6736(12)60367-5; PMID 22607822[38]
Ezetimiba Evidências de resultados de 2015 Prevenção incremental após SCA: 34,71 TP9T → 32,71 TP9T (indicador composto) em 7 anos Benefício composto; não se trata, em primeiro lugar, de um resultado relacionado à mortalidade Nível 1. DOI 10.1056/NEJMoa1410489; PMID 26039521[39]
Inibição da PCSK9 Dados sobre resultados 2017–2018 FOURIER HR 0,85; ODYSSEY HR 0,85 após SCA Prevenção eficaz de eventos; o efeito sobre a mortalidade depende da população e da duração do acompanhamento Nível 1. PMID 28304224; DOI 10.1056/NEJMoa1801174[40]
Aspirina (prevenção aguda e secundária) Definitivo 1988 Reduz os eventos isquêmicos recorrentes; a prevenção primária ampla é limitada pelo risco de sangramento ISIS-2: a aspirina reduziu o risco de morte vascular aguda em ~23%; com a estreptoquinase, em ~42% Nível 1. PMID 2899772[18]
Aspirina (prevenção primária) Reavaliado entre 2009 e 2019 Redução de apenas 12% nos eventos vasculares graves, impulsionada pelo infarto do miocárdio não fatal Não houve efeito significativo sobre a mortalidade vascular; compensado por cerca de 42% mais hemorragias graves Nível 1, Colaboração de Pesquisadores em Ensaios Antitrombóticos, Lancet 2009[42]
Betabloqueadores, inibidores da ECA / antagonistas dos receptores da angiotensina (ARBs) Década de 1980 / Década de 1990 Efeito modesto sobre a incidência O benefício histórico em termos de mortalidade pós-infarto do miocárdio (IM) e na insuficiência cardíaca com fração de ejeto reduzida (HFrEF) foi comprovado em ensaios clínicos randomizados e metanálises; as indicações atuais de tratamento de longo prazo pós-IM dependem da função ventricular esquerda e de outros fatores Nível 1[44,45,46]
Trombólise 1986–década de 1990 Nenhum — reabre uma artéria após o início do evento ~30 mortes a menos por 1.000 pacientes tratados no intervalo de 0 a 6 horas; ~20 por 1.000 no intervalo de 7 a 12 horas em pacientes elegíveis com elevação do segmento ST/infarto do miocárdio Nível 1, Fibrinolytic Therapy Trialists; PMID 7905143[47]
ICP primária para IAM com elevação do segmento ST A partir da década de 1990 Nenhum em casos de primeiro evento; reduz o risco de reinfarto em comparação com a lise Síntese de 23 estudos: mortalidade a curto prazo 7% x 9%; reinfarto 3% x 7%; acidente vascular cerebral 1% x 2% Nível 1. DOI 10.1016/S0140-6736(03)12113-7; PMID 12517460[21]
UTI / telemetria / desfibrilação A partir do início da década de 1960 Nenhum Mortalidade hospitalar histórica 30%→15%; um estudo comparativo randomizado entre 15,3% e 29,3% (RR para a ala geral: 2,3; IC 95%: 1,1–4,8)[13] Nível 2 (um único pequeno ensaio clínico randomizado)[13] além de Nível 5 série histórica[14]
DEA de acesso público Décadas de 1990–2000 Nenhum Estudo PAD: 30 sobreviventes de 128 prisões confirmadas com RCP + DEA versus 15 de 107 apenas com RCP Nível 1. DOI 10.1056/NEJMoa040566[48]
CABG A partir de 1968; testes entre 1972 e 1984 Reduz o infarto do miocárdio espontâneo em determinadas regiões anatômicas O benefício em termos de sobrevida concentrou-se na doença da artéria principal esquerda e na doença de três vasos; foi pouco ou nenhum na doença de um a dois vasos Nível 1, Yusuf et al.[19] Lancet 1994[19]
PCI para doença coronariana estável A partir da década de 1980 Não há papel preventivo na população em geral Isquemia: não houve redução nos eventos isquêmicos nem na mortalidade por todas as causas ao longo de uma mediana de 3,2 anos; HR de mortalidade 1.05 (0.83–1.32) Nível 1. DOI 10.1056/NEJMoa1915922; PMID 32227755[49]
Agonistas do receptor do GLP-1 Dados sobre resultados 2016–2023 Prevenção na obesidade sem diabetes (SELECT): MACE 6,5% vs 8,0%, HR 0,80 (0,72–0,90); há evidências separadas sobre resultados cardiovasculares no diabetes tipo 2 Reduz o MACE; o SELECT fez isso não demonstrar uma redução estatisticamente significativa apenas na mortalidade cardiovascular (2,5% vs. 3,0%, HR 0,85, IC 95% 0,71–1,01) Nível 1. NEJM 2023; DOI 10.1056/NEJMoa2307563[50]
Colchicina Dados sobre resultados 2019–2020 Reduz a ocorrência de eventos recorrentes na doença já estabelecida O COLCOT reduziu seu composto primário em ~23% (HR 0,77; IC 95% 0,61–0,96)[51]; LoDoCo2 por ~31% (HR 0,69)[52] Nível 1, mas o CLEAR SYNERGY/OASIS-9 apresentou-se neutro (HR 0,99, IC 95% 0,85–1,16)[53]

Parte V. Resgate: como o ataque cardíaco deixou de ser uma sentença de morte

A equação que distingue a prevenção do socorro

No nível populacional:

Mortalidade por doença cardíaca coronariana ≈ incidência de eventos coronários × taxa de letalidade

com contribuições adicionais de eventos recorrentes, morte súbita fora do hospital, riscos concorrentes e codificação. Essa é a equação que permite responder à questão central. Se a mortalidade diminui e a incidência permanece estável, o ganho decorre do atendimento de emergência. Se a mortalidade diminui e a letalidade permanece estável, o ganho decorre da prevenção. Normalmente, ambos se alteram.

O Projeto MONICA da OMS aproveitou exatamente isso em todo o 37 populações em 21 países entre 1983 e 1993, aproximadamente, com registro padronizado de eventos coronarianos — uma conquista logística extraordinária que nunca foi repetida nessa escala. A principal constatação foi que, nas populações em que a mortalidade diminuiu, aproximadamente dois terços dessa queda foram atribuídos à redução nas taxas de eventos coronarianos e cerca de um terço à diminuição da letalidade, com variações significativas por país e sexo [9] (Nível 3). Uma análise complementar relacionou as melhorias no atendimento coronariano e na prevenção secundária diretamente à redução da letalidade: para uma variação comum de 20 pontos na pontuação do tratamento, a letalidade diminuiu cerca de 19% nos homens e 16% nas mulheres, as taxas de eventos cerca de 25% e 23%, e a mortalidade coronariana cerca de 42% e 34%.[54]

Como a faixa etária do estudo MONICA era principalmente de 25 a 64 anos, essas proporções não devem ser projetadas mecanicamente para as populações idosas atuais, nas quais a distribuição pode ser diferente.

Tabela 5 — Sobrevivência ao infarto agudo do miocárdio ao longo das épocas

INTERVALOS HISTÓRICOS ILUSTRATIVOS — NÃO SÃO DIRETAMENTE COMPARÁVEIS. Esta tabela é uma síntese histórica esquemática, não um conjunto de dados proveniente de uma única fonte. As faixas são compostas por coortes, critérios diagnósticos e populações heterogêneas ao longo de sete décadas; portanto, os valores por época são indicativos, e não medidas diretamente comparáveis. A comparação entre épocas deve ser interpretada com cautela, pois a troponina moderna de alta sensibilidade detecta infartos menores que em épocas anteriores nunca teriam sido contabilizados — o que, por si só, reduz a letalidade medida. As coortes de origem individual apresentadas no painel abaixo têm o maior peso probatório; as faixas por época servem para orientar o leitor.

Era Taxa de letalidade intra-hospitalar Taxa de letalidade em 28/30 dias Principais causas de morte prematura Ambiente terapêutico
Período anterior à CCU, 1950–1961 ~30% ~40% Fibrilação ventricular primária súbita Repouso absoluto, morfina, oxigênio
Os primórdios da CCU, 1962–1975 ~15% ~25% Choque cardiogênico; insuficiência progressiva do coração Telemetria contínua, desfibrilação em corrente contínua, lidocaína
Reperfusão precoce, 1976–1989 ~10% ~15–20% Choque cardiogênico; ruptura da parede livre Trombólise intravenosa, aspirina oral em fase aguda, bloqueio beta
ICP primária e stents, 1990–2009 ~5–7% ~10% Choque cardiogênico; falência multiorgânica ICP primária (<90 min da chegada ao hospital até o balão), TPA dupla, inibição da ECA
Redes contemporâneas, 2010–2026 ~4–6% ~7–9% Comorbidade não cardíaca; choque refratário PPCI com abordagem radial, suporte circulatório mecânico seletivo, inibidores potentes do P2Y12, prevenção secundária orientada pelas diretrizes

Dados de comunidade e de coorte que corroboram essa conclusão

Fonte Conclusão
Estudo sobre Ataques Cardíacos de Worcester, 1975–2005 A taxa de sobrevivência hospitalar após um IAM inicial melhorou de 81% (1975) a 91% (2005) — ou seja, o número de mortes hospitalares caiu de aproximadamente 19% para 9% — em toda a comunidade, e não apenas em centros selecionados[55]. A taxa de letalidade intra-hospitalar ajustada por idade já havia caído de 22,2% (1975) a 15,1% (1984) na mesma comunidade[56]
Framingham, década de 1960→década de 1990 Taxa bruta de mortalidade em 30 dias: 20% → 14%; taxa de letalidade ajustada por idade e sexo em 30 dias, 1 ano e 5 anos, cada uma de aproximadamente ~60% inferior
ARIC, 1987–2008 A taxa de letalidade em 28 dias caiu ~2,6–3,61 TP9T por ano dependendo do sexo ou do grupo étnico
MIYAGI, Japão, 1979→2008 Mortalidade intra-hospitalar ajustada por idade 20,01 TP9T → 7,81 TP9T — enquanto a incidência rosa
Comparação randomizada entre unidades de cuidados intensivos coronários (CCU)[13] 15,31 TP9T (17/111, UTI) vs. 29,31 TP9T (27/92, enfermaria geral); RR para óbito na enfermaria geral: 2,3 (IC 95% 1,1–4,8)

Outro avanço discreto surgiu com o Julgamento do caso SHOCK,[57] que demonstrou um benefício de sobrevivência a longo prazo com a revascularização precoce em comparação com a estabilização médica inicial, embora sua comparação primária de mortalidade em 30 dias não tenha alcançado significância estatística. O estudo abordou o tipo de complicação que havia substituído a fibrilação ventricular como a principal causa de morte intra-hospitalar, uma vez que a unidade de cuidados coronarianos havia resolvido, em grande parte, o problema das arritmias.

As intervenções, sob uma perspectiva causal

A unidade de cuidados coronários abordou o tipo de falência que causou mortes nas primeiras horas: a fibrilação ventricular. Não exigiu o uso de medicamentos, apenas observação contínua e a presença de um desfibrilador na sala. Sua base de evidências é mais fraca do que sua plausibilidade, mas o sinal temporal é significativo e consistente.

RCP e desfibrilação de acesso público combater o mesmo tipo de falha fora do ambiente hospitalar, onde a maioria mortes cardíacas súbitas ocorrer. O estudo randomizado “Public Access Defibrillation Trial” constatou que 30 sobreviventes hospitalizados entre os 128 casos confirmados paradas cardíacas nas comunidades que receberam treinamento em RCP e uso de DEA, em comparação com 15 entre 107 em comunidades que praticam apenas RCP [48] (Nível 1). Trata-se de uma categoria de benefício invisível nas estatísticas hospitalares, pois, anteriormente, os pacientes em questão teriam falecido antes mesmo de chegar ao hospital — e isso reduz a mortalidade coronariana sem diminuir a incidência do evento aterosclerótico subjacente.

Fibrinólise foi um verdadeiro avanço no que diz respeito à mortalidade. A análise do Fibrinolytic Therapy Trialists, envolvendo cerca de 58.600 pacientes randomizados, constatou um benefício absoluto da ordem de 30 mortes a menos por 1.000 quando o tratamento foi iniciado dentro de seis horas e cerca de 20 por 1.000 entre 7 e 12 horas, em pacientes com elevação do segmento ST ou bloqueio de ramo — sem benefício e com possível risco para aqueles sem [47] A redução proporcional na mortalidade em 35 dias foi de aproximadamente 18%.

ICP primária em seguida, observou-se uma melhora na fibrinólise. A meta-análise de Keeley e colegas, que incluiu 23 ensaios clínicos e 7.739 pacientes, constatou que a mortalidade a curto prazo foi de 7% com angioplastia primária versus 9% com trombólise, reinfarto 3% versus 7%, acidente vascular cerebral 1% versus 2%, e o desfecho composto por morte, novo infarto ou acidente vascular cerebral 8% x 14% [21]

Sistemas de atendimento médico de emergência, ECG pré-hospitalar e redes de STEMI não são tratamentos, mas o mecanismo de distribuição que determina se os tratamentos chegam a tempo. Sua contribuição é real e, em grande parte, invisível para os modelos de atribuição, pois está incorporada à melhoria observada na taxa de letalidade, em vez de aparecer como um item separado.

Japão: o contra-exemplo decisivo

Qualquer alegação de que a queda na mortalidade coronariana signifique necessariamente menos ataques cardíacos é refutada pelo Japão. No registro MIYAGI-AMI, que inclui 22.551 pacientes, a incidência de infarto agudo do miocárdio ajustada por idade aumentou de 7,4 para 27,0 por 100.000 entre 1979 e 2008, enquanto a mortalidade hospitalar ajustada por idade caiu de 20,01 TP9T para 7,81 TP9T à medida que o uso de ambulâncias e a ICP primária se expandiram [58]. O registro também indicou uma mortalidade significativamente maior em 2008 entre as mulheres do que entre os homens — 12,21 TP9T versus 6,31 TP9T — uma disparidade entre os sexos também relatada em outras populações, incluindo dados recentes dos EUA sobre jovens adultos.[59]

O estudo de Akita–Osaka[60] também constatou tendências heterogêneas de longo prazo no Japão, com a incidência de infarto do miocárdio ajustada por idade entre homens residentes em áreas urbanas aumentando de 45 por 100.000 no período de 1964–1971 para 90 por 100.000 no período de 1996–2003, paralelamente ao agravamento dos níveis de colesterol e do IMC, mas com a redução do tabagismo. As trajetórias ocidentais não são universais, e um país pode alcançar ganhos dramáticos em termos de sobrevida enquanto perde terreno na prevenção.

Parte VI. Revascularização: três cirurgias diferentes com um único nome

“A ”revascularização” não é uma categoria causal única, e tratá-la como tal está entre os erros analíticos mais comuns nessa literatura.

ICP primária para infarto com elevação do segmento ST é a reperfusão de emergência de uma artéria ocluída em um paciente que está sofrendo um infarto no momento. Isso salva vidas, como mencionado acima.

Cirurgia de revascularização do miocárdio (CABG) em anatomia selecionada prolonga a vida. Duas bases de evidências distintas não devem ser combinadas. Em anatomia coronária, o estudo CASS e o Estudo Cooperativo da Administração de Veteranos comprovaram o benefício em termos de sobrevida na artéria principal esquerda estenose e doença de três vasos com envolvimento proximal da artéria coronária anterior esquerda (LAD). Em isquêmico cardiomiopatia com disfunção ventricular esquerda grave — uma população diferente, definida pela função ventricular e não pela anatomia — o estudo STICH e seu acompanhamento prolongado demonstraram um benefício de sobrevivência a longo prazo com a revascularização cirúrgica associada à terapia médica.[61] O estudo FREEDOM demonstrou, posteriormente, que, na doença arterial coronariana multivascular em pacientes diabéticos, a cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) reduziu a mortalidade e o infarto do miocárdio (IM) em comparação com a implantação de stent.[62] A meta-análise de Yusuf, que incluiu sete ensaios clínicos randomizados e 2.649 pacientes entre 1972 e 1984, constatou que o benefício em termos de sobrevida se concentrava em doença da artéria principal esquerda (razão de chances em cinco anos: 0,32) e doença em três vasos (OR 0,58), com pouco ou nenhum benefício na doença de um a dois vasos, e uma vantagem geral de sobrevivência absoluta de aproximadamente 4% aos dez anos.[19]

Elective PCI for stable coronary disease is predominantly a symptom-relief procedure. COURAGE (2007) found no reduction in death or MI versus optimal medical therapy.[63] ORBITA, using a sham-controlled design, found a far smaller symptomatic effect than expected.[64] Isquemia — the largest and most definitive trial — randomized patients with moderate or severe ischemia and found five-year primary-outcome estimates of 16.4% versus 18.2% for invasive versus conservative strategies, a difference of −1.8 percentage points (95% CI −4.7 to 1.0), with all-cause death HR 1.05 (0.83–1.32) [49] ISCHEMIA-EXTEND, at a median 5.7 years, showed no all-cause mortality difference, with a modest reduction in cardiovascular death offset by an increase in non-cardiovascular death.[65]

Across IMPACT models, CABG in chronic and post-MI cohorts accounted for roughly 3–5% of the total CHD mortality decline, while elective PCI in stable disease contributed on the order of 1–2%.

This explains an otherwise puzzling finding: despite an enormous growth in procedure volume, revascularization for chronic angina accounted for only about 5% of the U.S. 1980–2000 CHD mortality decline in the IMPACT model. Much of the growth in procedure volume occurred in settings where a population survival benefit was not established.

Tabela 6 — Prevenção versus tratamento de emergência

Intervenção Prevents first MI? Prevents recurrent MI? Reduces death during/after MI? Primary historical role
Tobacco control and smoking cessation Sim Sim Indirectly Population prevention
Lower population LDL/ApoB via food supply and diet Sim Sim Indirectly Population prevention
Salt reduction / salt substitution Sim (via BP) Sim Indirectly Population prevention
Statins and intensive LDL lowering Sim in appropriate primary prevention Yes, strongly Yes, via fewer events Preventive / chronic medicine
Terapia anti-hipertensiva Sim Sim Yes, via fewer vascular events Preventive / chronic medicine
Agonistas do receptor do GLP-1 Reduces MACE in selected high-risk obesity/T2D populations Sim Indirectly Preventive / cardiometabolic
Aspirina Limited by bleeding; not universally indicated Sim Yes in acute MI Secondary prevention plus acute therapy
Cardiac rehabilitation and comprehensive secondary prevention No effect on an event already occurring Sim Improves subsequent prognosis Prevenção secundária
CCU and telemetry Não Not directly Sim Acute rescue
CPR, AED, defibrillation Não Não Yes, dramatically in shockable arrest Emergency rescue
EMS, prehospital ECG, STEMI networks Não Not directly Yes, by reducing treatment delay Health system / acute rescue
Trombólise Não Reduces acute reinfarction consequences Sim Reperfusion rescue
ICP primária para IAM com elevação do segmento ST Não Reduces reinfarction versus lysis Sim Acute reperfusion
Elective PCI for stable CHD No demonstrated population role Not a substitute for intensive medical prevention No clear survival advantage over good medical therapy Symptom relief; selected anatomy
CABG Not population first-MI prevention Improves prognosis in selected high-risk anatomy Yes in selected disease; also symptom relief Chronic disease revascularization
Troponin and improved diagnosis No biological prevention Enables treatment targeting May improve care indirectly Diagnosis; also changes measured incidence and case fatality

Parte VII. Cenários contrafactuais e vidas salvas

E se uma população moderna tivesse um sistema de saúde antiquado — ou fatores de risco antigos?

Neither question has ever been randomized, and neither can be answered precisely. The closest defensible calculations come from the U.S. IMPACT model, which uniquely reports absolute numbers. What follows is an arithmetic counterfactual derived from that attribution model — adding modeled deaths-prevented-or-postponed back onto observed deaths. It is an illustrative reconstruction, not a validated simulation of what would happen if an intervention were withdrawn.

Modern risk factors, 1980-vintage treatment. Observed CHD deaths in the modeled age range in 2000 were approximately 337,658. Removing the estimated benefit of treatment improvements since 1980 would add roughly 159,330 deaths, yielding approximately 496,988 — about 47% more than observed, while retaining the modeled risk-factor improvements.

Modern treatment, 1980-vintage risk factors. Retaining 2000 treatment but reversing the modeled 1980–2000 risk-factor improvement adds about 149,635 deaths, yielding roughly 487,293 — about 44% more than observed.

Two cautions are essential. First, these are 1980-care and 1980-risk counterfactuals, not 1950s ones. Mid-century care lacked coronary care units, modern defibrillation systems, thrombolysis, PCI, statins, and essentially all evidence-based secondary prevention, so a true 1950s counterfactual would be considerably worse — but no validated model supports a specific number, and extrapolating backward would be invention. Likewise, restoring actual 1950s smoking, cholesterol, and blood-pressure distributions would produce a larger effect than reversing the 1980–2000 changes alone.

Second, and more interestingly, the two counterfactuals are nearly symmetrical. In the United States between 1980 and 2000, removing either modern treatment gains or favorable risk-factor gains would have erased a comparably enormous fraction of the progress. This symmetry provides a strong argument against the entire “medicine versus lifestyle” framing: both made comparably large contributions, and presenting the history as either medicine ou risk-factor change is misleading. It does not establish that either pathway alone would have failed — each alone would still have produced substantial mortality reduction.

Quantas vidas foram salvas?

The scientifically defensible term is deaths prevented or postponed, because no model can establish that a person who avoided a coronary death in a given year gained a specific number of life-years.

Three U.S. point-counterfactuals convey the scale:

  1. Had 1980 age-specific CHD death rates persisted into the year 2000 population, there would have been an additional 341,745 CHD deaths in that single year. Of these, approximately 159,330 were attributed to treatment and 149,635 to risk-factor change; the model explained about 90% of the observed difference.
  2. Had the 1963S. peak CHD mortality rate persisted, there would have been roughly 1.076 million CHD deaths in 1994 rather than about 482,000 — approximately 594,000 deaths avoided or postponed in that year alone.
  3. CDC’s historical analysis similarly estimated approximately 621,000 fewer CHD deaths in 1996 than if the 1963 peak rate had persisted.

The decline in cardiovascular mortality also contributed materially to gains in adult longevity: cardiovascular disease was the dominant cause of adult death, and its retreat is among the largest contributors to twentieth-century adult survival gains in high-income countries. This review does not estimate a global cumulative number of deaths prevented, nor a specific number of life-years gained, because it cites no dedicated demographic decomposition capable of supporting such a figure. The aggregate global “deaths prevented” figure is far softer, depends entirely on the counterfactual baseline chosen, and should not be quoted as a precise number without independent verification.

These figures must not simply be summed across years to produce a cumulative count of unique people saved. The same individual can have death postponed across many counterfactual years; the population’s age structure changes; competing non-coronary mortality changes; and the baseline rate is itself a counterfactual. A rigorous century-long cumulative “lives saved” total is therefore unspecified rather than falsely precise. What can be said is that single-year estimates against the 1963 peak-rate counterfactual are of the order of half a million to six hundred thousand deaths prevented or postponed in the mid-1990s — a scale of benefit with few parallels in the history of medicine. No verified continuous annual series exists across the following three decades, and none is asserted here.

Parte VIII. Experimentos naturais internacionais

Attribution models are inference. Natural experiments — where a population’s risk factors changed sharply and mortality followed — provide stronger triangulating evidence, although they remain non-randomized and potentially confounded by concurrent secular change.

Finlândia e Carélia do Norte

The Finnish experience is one of the most informative population-level natural experiments in the field, because the risk-factor changes were deliberately engineered, documented prospectively, and preceded the mortality change.

In the early 1970s, North Karelia recorded among the highest coronary mortality rates then documented anywhere, particularly among middle-aged working-age men in eastern Finland. A community-based program launched in 1972 — working through village organizations, schools, food producers, dairy cooperatives, and eventually national legislation — systematically reduced smoking, gordura saturada intake, and blood pressure. Working-age male coronary mortality in eastern Finland fell from 643 to 118 per 100,000 between the early 1970s and 2012 (−82%), and female mortality from 114 to 17 (−84%).[66]

The within-community analyses estimated that observed reductions in the three classical risk factors predicted the great majority of the first-period decline in ischemic heart disease incidence in North Karelia — far more than in the reference area[35] — evidence about incidence, not merely mortality, and therefore evidence about prevention rather than rescue.[67] Even in the later decades of follow-up, the three classical risk factors continued to explain a substantial share of the ongoing decline. The national Finnish IMPACT analysis nevertheless assigned treatment a meaningful 23% share for 1982–1997[5], demonstrating once again that this is not an either/or.

Islândia

Iceland offers the cleanest quantitative demonstration that fewer events, not merely better survival, drove the mortality fall: coronary mortality fell 80% and MI incidence fell 66% between 1981 and 2006. The model attributed 73% of the mortality decline to risk-factor change and 25% to treatment, with cholesterol contributing 32%, smoking 22%, and systolic blood pressure 22%.[7] Within the treatment share: secondary prevention 8%, heart-failure treatment 6%, acute coronary syndrome treatment 5%, revascularization 3%, hypertension treatment 2%, and statins 0.5%.

Suécia

Coronary mortality fell approximately 53% in men and 52% in women from 1986–2002, with 55% attributed to risk-factor reduction and 36% to treatment.[6] The detailed follow-up analysis provides the field’s best worked example of separating diet from pharmacology within a single risk factor, and established that roughly three-quarters of the risk-factor-attributable benefit occurred in people sem diagnosed coronary disease.

Inglaterra e País de Gales

The 1981–2000 decline was 62% in men and 45% in women aged 25–84, with treatment explaining 42% and risk-factor change 58%.[4] The distinguishing feature is that smoking reduction alone accounted for 48% of the modeled decline — a reminder that where a population’s dominant exposure is unusually severe, its reversal dominates everything else. Acute MI treatment contributed about 8%.

Estados Unidos

The most complete accounting, and the one with absolute numbers, as described above: 44% risk factors, 47% treatment, ~9% unexplained, 341,745 deaths prevented or postponed in the year 2000 alone.

Polônia: uma experiência nacional acidental no abastecimento alimentar

Poland provides a particularly informative natural experiment bearing on the dietary hypothesis, because the change was economic rather than medical and was not primarily initiated as a cardiovascular health-service intervention. It was emphatically not a controlled test: the post-communist transition changed incomes, employment, healthcare, and much else simultaneously. After the 1991 economic transition, consumer subsidies on butter and lard were removed while trade liberalization made imported rapeseed and soybean oils cheap and available. Within roughly three years, animal fat consumption fell about 20%, vegetable oil consumption doubled, and fruit and vegetable intake rose.

Between 1991 and 2005, age-adjusted coronary mortality in Poland fell 54%, corresponding to approximately 26,200 deaths avoided in 2005. The Polish IMPACT model attributed roughly 54% of the decline to dietary fat substitution and increased physical activity, and 37% to medical therapy [33] Poland matters because the change in exposure was abrupt, externally imposed, not designed as a health-service intervention, and followed by a mortality change of the predicted direction and magnitude.

A Rússia e a onda pós-soviética: a experiência repetida ao contrário

The dissolution of the Soviet Union produced the mirror image. Economic collapse, social disruption, hazardous binge consumption of high-proof spirits, and the breakdown of routine chronic disease care were followed by a very large increase in cardiovascular mortality during the 1990s in the Russian Federation, with reported increases of roughly 35–45%.[68] Comparable directional deterioration occurred in several neighboring post-Soviet states, though the precise magnitude there requires country-specific sources.

This provides especially compelling evidence that the century’s gains are not automatic, irreversible, or purely technological. A population with essentially unchanged medical knowledge lost decades of cardiovascular progress in under ten years because its social and behavioral conditions deteriorated. Any account that treats the coronary decline as a ratchet driven by accumulating medical capability cannot explain Russia.

Países Baixos

Coronary mortality fell 48% between 1997 and 2007 (269 to 141 per 100,000), with approximately 37% attributed to treatment and 36% to risk-factor change — notable for systolic blood pressure dominating the risk-factor share at about 30%. The model explained roughly 72% of the observed decline, leaving an unusually large residual.[34]

Japão

Discussed above: rising incidence, sharply falling case fatality. Japan also illustrates the limits of extrapolating Western attribution percentages to populations with different baseline diets, lipid distributions, and stroke-versus-coronary disease balance.

Divergência global

The high-income experience is not the world’s experience. While high-income countries recorded large declines in age-standardized cardiovascular mortality in recent decades, the picture elsewhere is heterogeneous by GBD region rather than a simple high-income/low-income binary. Many countries have seen rising absolute cardiovascular burden from population growth and aging while their age-standardized rates fell; in some regions age-standardized rates have also stagnated or risen, driven by urbanization, tobacco, the penetration of processed foods, and limited access to both prevention and acute care.[24] The global coronary epidemic is not uniformly ending; in much of the world it is still ascending in absolute terms.

Tabela 7 — Experimentos naturais na epidemiologia cardiovascular

Region / context Window Structural driver Mortality trend Principal factors identified
North Karelia and Finland 1972–2012 Designed community intervention; dairy fat replaced with plant oils; salt reduction >80% decline in working-age CHD mortality Cholesterol reduction dominant; smoking cessation; BP control
Poland 1991–2005 Removal of animal-fat subsidies; imported vegetable oils −54% Saturated fat replaced by PUFA; increased physical activity
Islândia 1981–2006 Modernization, universal healthcare, tobacco and diet policy −80%; incidence −66% Cholesterol −32%, smoking −22%, SBP −22%; treatment 25%
Russian Federation 1990–1998 Socioeconomic collapse; disruption of chronic care +35% to +45% increase Hazardous álcool use; socioeconomic disruption; health-system deterioration
Japan (Miyagi) 1979–2008 Westernizing risk profile with rapidly modernizing acute care Incidence +265%; in-hospital mortality −61% Rescue improved while prevention deteriorated
Global regional divergence 1990–2026 Divergent risk transition and health-system capacity Large age-standardized declines in high-income regions; heterogeneous elsewhere, with absolute burden rising in most regions Prevention and guideline-directed therapy uptake versus urbanization, tobacco, processed foods; see GBD region-specific estimates[24]

Parte IX. A barraca e quem ficou para trás

Three uncomfortable observations belong in any honest account.

Progress has slowed and, in places, reversed. The rate of decline in U.S. and U.K. coronary mortality attenuated markedly after roughly 2011. Adults under 55 — particularly women — show flattening or reversal. Wilmot and colleagues documented stagnation in young adults through 2011,[22] and a 2026 analysis of 945,977 first acute myocardial infarction hospitalizations in U.S. adults aged 18–54 found that adjusted in-hospital mortality after a first STEMI rosa by 1.2 percentage points in absolute terms between 2011 and 2022, while first-NSTEMI mortality was essentially unchanged.[59] Young women fared worse than young men (STEMI 3.1% vs 2.6%; NSTEMI 1.0% vs 0.8%), and non-traditional risk factors — low income, doença renal, non-tobacco drug use — were more strongly associated with death than traditional ones. Note that this measures case fatality among those hospitalized, not a population death rate. The causes of this worsening in-hospital STEMI mortality are not established; the study itself found non-traditional factors more strongly associated with death than traditional ones. At the population level, obesity and type 2 diabetes remain major counterweights to long-term coronary progress, and many major attribution models have flagged them as negative contributions since the 1990s — but they should not be assumed to explain the specific rise in young-adult in-hospital STEMI mortality.

Hypertension control has deteriorated in the United States. Using the traditional <140/90 mmHg threshold, control among U.S. adults with hypertension peaked around 2013–2014 at approximately 53.8% and fell to 43.7% by 2017–2018.[25] Under the stricter 2017 ACC/AHA definition (<130/80 mmHg), only 20.7% of U.S. adults with hypertension were controlled during August 2021–August 2023, with no significant change from 2017–March 2020.[69] The threshold and denominator must always be specified, because these figures are not interchangeable — a reversal of decades of improvement in one of the largest population-attributable cardiovascular risks globally.[24] This is substantially an implementation and health-system failure rather than a lack of effective therapy — and it is reversible, though socioeconomic, measurement, and biological factors also contribute.

The gains have not been shared equally. ARIC found incident MI declining at only 1.5% per year in Black men versus 3.4–4.3% in other groups over 1987–2008.[29] The Miyagi registry found in-hospital mortality of 12.2% in women versus 6.3% in men in 2008.[58] Socioeconomic and geographic gradients in coronary mortality persist and in several countries have widened, even as national averages improved. A national average that improves while a subgroup stagnates is a partial success being reported as a complete one.

Globally, GBD identifies high systolic blood pressure, dietary risk, high Colesterol LDL, and air pollution among the largest contributors to cardiovascular burden, while high BMI and hiperglicemia have worsened.[24] In much of the world, the coronary epidemic is not in retreat at all — it is in its ascending phase, in countries with far less capacity to deploy either prevention or rescue.

Parte X. O que vem a seguir: fazer melhor do que estamos fazendo hoje

The last hundred years were won with tobacco control, the food supply, blood pressure, cholesterol, and the emergency reperfusion of occluded arteries. Future progress cannot rely solely on repeating those strategies — though substantial gains remain available from implementing them better, particularly outside high-income countries.

One structural fact should govern planning. The marginal population gains available from further reducing already-low in-hospital STEMI mortality are likely smaller than those available from prevention. With in-hospital STEMI case fatality compressed to roughly 4–7%, even halving it again would move population coronary mortality only modestly. This does not mean acute care is finished: substantial opportunity remains in out-of-hospital cardiac arrest survival, cardiogenic shock, reperfusion delay, systems of care, and the disparities documented above — and the 2026 young-adult data show acute outcomes can deteriorate. But a larger share of future gains will probably need to come from preventing events rather than surviving them.

Seven directions have the strongest claim.

1. Treat cumulative lifetime exposure, not middle-aged thresholds

This is an important conceptual shift, and it requires no new drug. Randomização mendeliana studies indicate that genetically mediated lifelong lower LDL confers a risk reduction several-fold greater per unit of LDL than the same reduction achieved for five years in a middle-aged trial population — the difference between roughly 22% per mmol/L over a trial[31] and a far larger effect over a lifetime.[32] Atherosclerotic risk depends strongly on cumulative atherogenic-particle exposure over time — along with blood pressure, smoking, glycemia, inflamação, and genetic factors — rather than on a cholesterol value measured on a given morning at age 55.

The practical implications are substantial: consider apolipoproteína B in addition to LDL-C — particularly where LDL-C and ApoB are discordant, or in metabolically high-risk patients — since ApoB counts partículas aterogênicas directly;[32] initiate treatment earlier in people with clearly elevated lifetime exposure rather than relying solely on a ten-year risk threshold that is strongly age-dependent and can understate lifetime risk in younger patients; and use short-term risk scores alongside an assessment of cumulative lifetime exposure, rather than allowing the score alone to determine treatment.

2. Finally treat lipoprotein(a)

Roughly one in five people carries an elevated Lp(a) depending on the threshold used, it is almost entirely genetically determined, it is causally associated with atherosclerotic disease and estenose aórtica, and neither statins nor ezetimibe lower it meaningfully. It is a major common causal risk factor for which outcome-proven targeted therapy remains unavailable, and it remains substantially undermeasured in routine practice — despite requiring, in most people, only a single lifetime test.

RNA-targeted therapeutics now lower it dramatically: pelacarsen (antisense) by roughly 80%, olpasiran and lepodisiran (siRNA) by approximately 90–94%, with oral small-molecule approaches such as muvalaplin in earlier development.[70,71,72,73,74] Phase 3 cardiovascular outcome trials are ongoing; as of August 2026, definitive cardiovascular outcome results have not been reported, and the field should not pre-commit to a result. One-time measurement in adulthood is already endorsed by major contemporary society and consensus statements;[75] the outcome trials are needed principally to establish whether targeted treatment improves outcomes. Positive results would strongly reinforce systematic one-time measurement and could make Lp(a) lowering a major addition to preventive cardiology.

3. Extend the lipid-lowering toolkit and solve adherence

Inclisiran offers siRNA-based LDL lowering with twice-yearly maintenance dosing after initial and three-month doses, converting adherence from a daily behavioral problem into a scheduled clinical event; a direct cardiovascular outcome benefit has not yet been established, with ORION-4 ongoing. Bempedoic acid provides a non-statin option with demonstrated outcome benefit for the statin-intolerant.[76] Obicetrapib and other agents remain investigational, with cardiovascular outcome data still pending.

Fixed-dose combination therapy addresses the same problem from the other direction. SEGURO (post-MI polypill) reduced the primary composite by 24%;[43] PolyIran reduced major cardiovascular events with HR 0.66 in a primary-prevention population;[77] TIPS-3 showed HR 0.69 for polypill plus aspirin.[78] The consistent finding is that adherence is one of the major limiting factors in secondary prevention — alongside risco residual, undertreatment, clinical inertia, and access.

4. Treat the cardiometabolic driver directly

Obesity and diabetes have been major counterweights to progress for thirty years, and until recently there was no pharmacotherapy producing perda de peso of this magnitude while also improving cardiometabolic risk and cardiovascular outcomes. SELECT changed that: in 17,604 patients with obesity and cardiovascular disease but without diabetes, semaglutida reduced major adverse cardiovascular events from 8.0% to 6.5%, HR 0.80 (95% CI 0.72–0.90).[50] Cardiovascular death alone was not significantly reduced (2.5% vs 3.0%; HR 0.85, 95% CI 0.71–1.01), so the benefit is established for the composite rather than for cardiovascular mortality specifically. SGLT2 inhibitors reduce heart failure events and cardiovascular death in heart-failure and doença renal crônica populations, including people without diabetes; they are not established as generic primary prevention in all non-diabetic adults. Dual and triple incretin agonists are in outcome trials.

If these agents can be deployed at population scale — which is at present a pricing, supply, and health-system question far more than a scientific one — they address the specific factor that has been subtracting from the ledger since 1990. That is one plausible route to helping restart the stalled decline.

5. Address residual inflammatory risk

CANTOS provided randomized evidence supporting the inflammatory hypothesis: canakinumabe reduced recurrent events by roughly 15% with no lipid change, though without an all-cause mortality benefit and without ever being approved for this indication.[79] Colchicine at 0.5 mg daily reduced the primary composite by about 23% in COLCOT (HR 0.77, 95% CI 0.61–0.96)[51] and about 31% in LoDoCo2 (HR 0.69)[52]. The subsequent CLEAR SYNERGY (OASIS-9) trial in 7,062 patients after acute MI was neutral (9.1% vs 9.3%; HR 0.99, 95% CI 0.85–1.16),[53] introducing genuine uncertainty about which patients benefit. Ziltivekimab, targeting interleukin-6, is in outcome trials. Residual inflammatory risk is real; the optimal agent and the right patient are not yet settled.

6. Find the people at risk before the event

Coronary artery calcium scoring can refine risk classification when conventional ten-year estimates leave treatment decisions uncertain, and a score of zero is a powerful negative predictor.[80] Pontuações de risco poligênico add independent information, particularly in the young, though their clinical utility across ancestries remains uneven.

More consequentially: hipercolesterolemia familiar affects roughly one in 250 people, causes premature coronary death, is readily screenable with a lipid panel, is highly treatable, and remains largely undiagnosed.[81] Diagnosis requires clinical, family, and often genetic context plus exclusion of secondary causes, but screening itself is simple. Universal lipid screening in childhood with cascade screening of families is recommended by several professional societies, though guideline consensus and implementation both remain incomplete.

7. Population policy retains exceptionally large leverage

Population policies shift exposure across entire distributions rather than acting only on the motivated minority who attend clinics, and therefore carry unusually large potential leverage. The evidence base is not uniform across them: industrial trans-fat elimination, sodium reduction, and tobacco control have the strongest support for hard cardiovascular outcomes, whereas sugar taxation and some dietary reformulation policies currently rest on more indirect evidence.

O SSaSS trial demonstrated this with randomized evidence: in 20,995 participants followed a mean 4.74 years, replacing salt with a 75% sodium chloride / 25% potassium chloride substitute reduced stroke (rate ratio 0.86, 95% CI 0.77–0.96, P=0.006), major cardiovascular events by 13%, and all-cause death by 12%.[82] In this high-risk rural population, a low-cost dietary substitution produced clinically important outcome benefits; generalizability to lower-risk settings is less certain.

E, acima de tudo: colmatar a lacuna de implementação

One of the largest potentially available gains today is not a new molecule. It is the distance between what the evidence supports and what patients actually receive. Fewer than half of American adults with hypertension are controlled to conventional targets.[25] European registry surveillance of coronary patients has repeatedly documented large shortfalls in risk-factor control and low uptake of cardiac rehabilitation after an acute event.[83] Many high-risk patients leave hospital after an infarction without guideline-recommended intensive lipid lowering; Lp(a) remains undermeasured in routine practice; and familial hipercolesterolemia commonly goes undiagnosed for decades.[81]

The awareness–treatment–control cascade for hypertension and lipids leaks at every stage, and many of these gaps are amenable to established policy and delivery interventions. Closing those gaps with drugs that came off patente years ago would plausibly yield a very large mortality benefit. No model is cited here comparing that benefit against the expected yield of the next decade of pharmaceutical innovation, and the comparison should be read as an unquantified judgment rather than an estimate.

Tabela 8 — A agenda para o futuro

Lever Mecanismo Current evidence status Plausible scale of benefit
Lifetime ApoB/LDL exposure reduction, earlier initiation Reduces cumulative atherogenic particle-years Mendeliano randomização plus trial extrapolation; no long-horizon RCT Potentially very large; hardest to prove
Lp(a) lowering Targets a major common causal lipid risk not addressed by conventional LDL-lowering therapy Potent lowering proven; phase 3 outcome trials ongoing, definitive results not reported as of August 2026 Large if positive; unknown until then
GLP-1 and incretin therapies Addresses the obesity/diabetes counterweight Nível 1 (SELECT); more trials reading out Large; constrained by cost and access
Polypill and adherence engineering Converts proven efficacy into realized benefit Nível 1 (SECURE, PolyIran, TIPS-3) Moderate–large, especially in secondary prevention
Anti-inflammatory therapy Addresses residual inflammatory risk Nível 1 but heterogeneous; patient selection unresolved Moderado
Salt substitution and sodium policy Population-wide BP reduction Nível 1 (SSaSS) Large at population scale, very low cost
Tobacco endgame policy Reduces residual smoking burden Strong policy evidence Moderate in high-income, very large globally
CAC, escores poligênicos, FH cascade screening Finds high-risk individuals before events Good evidence; poor implementation Moderate; concentrated in the young
Closing the control cascade Delivers existing therapy to existing patients Strong; implementation is a major limiting factor Potentially very large near-term gain

Hierarquia de evidências e o livro-razão de evidências

Tier 1 — randomized trials and meta-analyses establish that lowering LDL, lowering blood pressure, giving aspirin and reperfusion in acute MI, and providing primary PCI promptly rather than fibrinolysis in appropriate STEMI patients, causally reduce events or death. They do não tell us how much of a country’s forty-year mortality decline came from each intervention, because that additionally requires population uptake data.

Tier 2 — cohorts and natural experiments (Framingham, North Karelia) reveal long-term changes in incidence, risk factors, and survival, and strengthen causal interpretation of population prevention.

Tier 3 — surveillance (CDC/NCHS, ARIC, MONICA, national registries) provides the strongest evidence that population event and mortality rates actually changed.

Tier 4 — IMPACT attribution models, which incorporate externally estimated causal effect sizes rather than independently identifying causal effects, are the only practical way to partition an observed national decline among dozens of treatments and risk factors simultaneously. Their percentages are model-dependent and must never be presented as though they came from randomized experiments.

Tier 5 — historical inference is unavoidable for the early CCU era and for 1925–1950, when modern event definitions and surveillance did not exist.

Registro de provas

Estudo Main quantitative finding used here Access status Nível Identifier
Ford et al., NEJM 2007 U.S. 1980–2000: 47% treatment, 44% risk factors; 341,745 fewer deaths Full text reviewed 4 DOI 10.1056/NEJMsa053935; PMID 17554120
Unal et al., Circulação 2004 England/Wales: 42% treatment, 58% risk factors; smoking 48% Abstract reviewed 4 PMID 14993137
Laatikainen et al., Am J Epidemiol 2005 Finland: treatment 23%, risk factors 53–72% Abstract reviewed 4 DOI 10.1093/aje/kwi274; PMID 16150890
Björck et al., Eur Heart J 2009 Sweden: 36% treatment, 55% risk factors Abstract reviewed 4 DOI 10.1093/eurheartj/ehn554; PMID 19141562[6]
Björck et al., PLoS One 2015 Swedish diet/statin/BP partition; double-counting method Full text reviewed 4 DOI 10.1371/journal.pone.0124769; PMID 25942424[10]
Aspelund et al., PLoS One 2010 Iceland: mortality −80%, incidence −66%; risk factors 73%, treatment 25%, statins 0.5% Full text openly available 4 DOI 10.1371/journal.pone.0013957; PMID 21103050[7]
Tunstall-Pedoe et al., Lancet 1999 MONICA: ~two-thirds event rates, ~one-third case fatality Abstract/reference record reviewed 3 DOI 10.1016/S0140-6736(99)04021-0; PMID 10334252
Parikh et al., Circulação 2009 Framingham: ECG-MI incidence −50%; adjusted case fatality −60% Full PMC text reviewed 2 DOI 10.1161/CIRCULATIONAHA.108.825364; PMID 19237656[28]
Rosamond et al., Circulação 2012 ARIC incidence and 28-day case-fatality declines; Black men 1.5%/yr Open full text 3 DOI 10.1161/CIRCULATIONAHA.111.047480; PMID 22420957[29]
King et al., J Am Heart Assoc 2025 U.S. 1970–2022: IHD −81%, AMI mortality −89% Full/open article record reviewed 3 DOI 10.1161/JAHA.124.038644; PMID 40557798[2]
BPLTTC, Lancet 2021 ~10% MACE reduction per 5 mmHg SBP; 344,716 participants Detailed record; free PMCID 1 DOI 10.1016/S0140-6736(21)00590-0; PMID 33933205[37]
Colaboração com a CTT, Lancet 2012 MVE RR 0.79 per 1 mmol/L LDL reduction Abstract/full-text metadata reviewed 1 DOI 10.1016/S0140-6736(12)60367-5; PMID 22607822[38]
ISIS-2, Lancet 1988 Aspirin and streptokinase acute-MI mortality effects Abstract/results reviewed 1 PMID 2899772
Fibrinolytic Therapy Trialists, Lancet 1994 ~30 fewer deaths/1,000 treated within 6 h Abstract reviewed 1 PMID 7905143
Keeley et al., Lancet 2003 Primary PCI vs thrombolysis: death 7% vs 9% Complete abstract reviewed 1 DOI 10.1016/S0140-6736(03)12113-7; PMID 12517460[21]
PAD Trial, NEJM 2004 CPR+AED roughly doubled survivor count vs CPR-only Publisher abstract/methods reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa040566
Maron et al. (ISCHEMIA), NEJM 2020 No death/ischemic-event advantage from routine invasive strategy Full text reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa1915922; PMID 32227755[49]
Yusuf et al., Lancet 1994 CABG survival benefit in left main and three-vessel disease Abstract reviewed 1 CABG Trialists Collaboration
Cannon et al. (IMPROVE-IT), NEJM 2015 Ezetimibe + statin 32.7% vs 34.7% at 7 years Complete abstract reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa1410489; PMID 26039521[39]
Sabatine et al. (FOURIER), NEJM 2017 Evolocumab HR 0.85 primary endpoint Complete abstract reviewed 1 PMID 28304224
Schwartz et al. (ODYSSEY OUTCOMES), NEJM 2018 Alirocumab HR 0.85 MACE after ACS Complete abstract reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa1801174; PMID 30403574
Lincoff et al. (SELECT), NEJM 2023 Semaglutide MACE 6.5% vs 8.0%, HR 0.80 Complete abstract reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa2307563[50]
Neal et al. (SSaSS), NEJM 2021 Salt substitute: stroke RR 0.86; all-cause death −12% Complete abstract reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa2105675[82]
Castellano et al. (SECURE), NEJM 2022 Polypill post-MI: composite HR 0.76; CV death HR 0.67 Complete abstract reviewed 1 DOI 10.1056/NEJMoa2208275[43]
Takii et al. (MIYAGI-AMI), Circ J 2010 Incidence 7.4→27.0/100k; hospital death 20.0→7.8% Complete abstract reviewed 3 DOI 10.1253/circj.CJ-09-0619; PMID 19942783[58]
Antithrombotic Trialists’ Collaboration, Lancet 2009[42] Aspirin: secondary 19% event reduction; primary 12%, offset by bleeding Abstract reviewed 1 ATT Collaboration
Bandosz et al., BMJ 2012 [33] Poland 1991–2005: −54%; 54% risk factors, 37% treatment Abstract reviewed 4 BMJ 2012;344:d8136
Worcester Heart Attack Study Hospital survival after initial AMI 81% (1975) → 91% (2005); age-adjusted in-hospital case fatality 22.2% (1975) → 15.1% (1984) Abstract level 3 Floyd et al.[55]; Goldberg et al.[56]
Leon et al., Lancet 1997 and GBD Post-Soviet CVD mortality surge of ~35–45% in the 1990s Secondary/abstract level 3 PMID 9269215
GBD 2023 CVD Collaborators, JACC 2025 19.2 million CVD deaths in 2023; risk-factor burden Publisher record reviewed 3 DOI 10.1016/j.jacc.2025.08.015[24]

Resumos estruturados nos quais foram utilizadas evidências de nível de resumo

England and Wales IMPACT — Unal, Critchley & Capewell. The IMPACT mortality model was applied to national treatment uptake, clinical effectiveness data, and population risk-factor trends from 1981–2000. CHD mortality declined 62% in men and 45% in women aged 25–84, corresponding to 68,230 fewer deaths in 2000. Treatment was assigned 42% and population risk-factor reduction 58%; smoking alone contributed 48%, with blood pressure and cholesterol about 9.5% each, and obesity, diabetes, and inactivity offsetting some gains. Abstract-level evidence; no numerical detail beyond the reported abstract was inferred.

Finland IMPACT — Laatikainen et al. Finnish national death, hospital, and social-insurance records were combined with random-sample risk-factor surveys and IMPACT treatment-effect estimates for 1982–1997. CHD mortality declined 63%. Treatment explained approximately 23%; risk-factor changes approximately 53–72%. Abstract-level evidence.

MONICA — Tunstall-Pedoe et al. The project standardized coronary-event ascertainment across 37 populations and assessed how changes in event rates and survival related to falling CHD mortality over approximately a decade. The central result, as summarized in the subsequent peer-reviewed literature, is that roughly two-thirds of the mortality decline arose through reduced coronary-event rates and one-third through improved case fatality, with substantial population and sex heterogeneity. Bibliographic/abstract record plus later peer-reviewed summary; no unsupported subgroup extraction was made.

MIYAGI-AMI Registry. Among 22,551 acute MI patients registered from 1979–2008, age-adjusted incidence increased from 7.4 to 27.0 per 100,000 while age-adjusted hospital mortality declined from 20.0% to 7.8%; ambulance use and primary PCI increased over the period. The abstract also reports 2008 mortality of 12.2% in women versus 6.3% in men. Complete abstract reviewed.

Lacunas nas evidências e incertezas remanescentes

No valid single decomposition exists for the entire period 1925–2026. IMPACT analyses typically compare two years 15–25 years apart and are concentrated in high-income countries after 1980. Extrapolating their percentages backward through the pre-CCU era, or forward into the PCSK9 and high-sensitivity troponin era, is unjustified.

Diagnostic drift is a first-order problem, not a footnote. A modern high-sensitivity troponin assay detects infarctions that would have gone entirely unrecognized decades ago, simultaneously inflating apparent incidence and deflating apparent case fatality. Framingham demonstrated the effect directly. Biomarker-adjusted or ECG-standardized surveillance therefore deserves substantially greater weight than unadjusted hospital discharge coding.

The boundaries between categories are causally porous. A statin lowers a population cholesterol measurement; antihypertensive prescribing lowers population mean blood pressure; physician counseling changes smoking; EMS enables earlier aspirin and PCI; troponin changes both diagnosis and treatment eligibility. Good IMPACT implementations adjust known overlaps, but residual double-counting remains possible.

The “unexplained” residual is not the health-system contribution. Better ambulance networks, catheterization laboratory availability, nursing, time-to-treatment, prevention clinics, and diagnostic recognition are partly embedded in observed treatment uptake and case-fatality change. The honest statement for that category is “not separately quantifiable from the current attribution literature.”

Averages conceal disparities. Slower decline in Black men; higher case fatality in women; persistent and in places widening socioeconomic and geographic gradients.

Sex-specific evidence is weaker than it should be. Women were under-represented in the foundational trials of the 1980s and 1990s; the proportional benefits of lipid and blood-pressure lowering appear consistent by sex, but data on presentation, diagnosis, and acute management in women remain less complete, and the outcome gap has not closed.

The epidemic is not over. Rising obesity and diabetes repeatedly subtract from the benefits of reduced smoking, cholesterol, and blood pressure in many major attribution models. Globally, cardiovascular disease is still ascending in much of the world.

Figures deliberately removed or constrained in this version. An unverifiable pooled cross-cohort attribution estimate has been deleted rather than retained with a caveat. The global cumulative “deaths prevented” figure is stated non-numerically. The claim of rising heart-attack mortality in adults under 55 has been replaced with the specific 2026 in-hospital STEMI finding.[59] Two quantities remain flagged: the population mean risk-factor shifts in Table 3 are order-of-magnitude summaries across differing populations and periods rather than values from a single sourced series, and the era bands in Table 5 are a schematic synthesis rather than a single dataset.

Key quantities that remain genuinely unknown: the effect size of very early, lifelong lipid lowering; whether Lp(a) lowering translates into event reduction; which patients benefit from anti-inflammatory therapy; and whether incretin therapies can be deployed at sufficient scale to substantially reduce the cardiometabolic counterweight.

Níveis de confiança para as principais conclusões

High confidence. Coronary and acute-MI mortality have fallen extraordinarily — roughly 80–90% from late-twentieth-century U.S. reference levels — and ambos lower event incidence and lower case fatality contributed.

High confidence. Lowering LDL/ApoB, lowering blood pressure, stopping smoking, antiplatelet therapy in appropriate acute and secondary settings, and timely reperfusion causally reduce coronary events and/or death.

Moderate confidence. In the high-income populations best studied during the main 1970s–2000s decline, roughly one-half to two-thirds of the coronary mortality improvement arose from population risk-factor change and roughly one-quarter to two-fifths from treatment, with substantial country-specific departures.

Moderate confidence. Acute treatment itself typically explains only ~5–10% of the total historical CHD mortality decline in attribution models, even though acute care is responsible for a far larger share of improved survival among patients who actually have an infarction.

Moderate–high confidence. The direction of the international evidence is stable across the country-specific IMPACT analyses: risk factors somewhat ahead of treatment, with both large. No verified pooled point estimate is relied upon here.

Moderate–high confidence. Natural experiments in both directions — North Karelia and Poland downward, post-Soviet Russia upward — support a causal rather than merely associational reading of the population risk-factor contribution.

Moderate–high confidence. Progress has stalled since approximately 2011 in the U.S. and U.K., with stagnation in younger adults and recent evidence of worsening in-hospital mortality after first STEMI among adults aged 18–54,[59] and deteriorating hypertension control is a plausible contributor.

Low confidence. Any precise 1925–2026 partition into risk factors versus treatment; any exact cumulative century-long or global “lives saved” figure; any specific mortality estimate for a hypothetical modern population treated with literal 1950s medicine.

Síntese central

  1. How much has CHD mortality declined? U.S. age-adjusted ischemic heart disease mortality fell 81% between 1970 and 2022, and AMI-coded mortality 89%; age-adjusted CHD mortality fell roughly 50% entre 1980 e 2000 alone. Comparable declines of 47–84% are documented across high-income countries. Globally, age-standardized IHD mortality fell approximately 32% between 1990 and 2021 while absolute deaths rose.
  2. How much has MI incidence declined? Substantially, but with no valid universal figure and with major measurement caveats. Framingham ECG-defined first MI fell ~50% (1960–1999); Icelandic incidence fell 66% (1981–2006); ARIC found ~3–4% annual declines in most groups (1987–2008). Japan is the counterexample where incidence rose. Falling incidence was nonetheless the larger contributor during the classic MONICA era, averaging roughly two-thirds of the mortality decline.
  3. How much has MI case fatality declined? Dramatically. Pre-CCU hospital mortality of roughly 30% compares with contemporary in-hospital figures of ~3–7%. Framingham found age- and sex-adjusted case fatality at 30 days, one year, and five years each about 60% inferior across 1960–1999.
  4. Of the fall in CHD mortality, what fraction is explained by each source? Aproximadamente 45–70% population risk-factor improvement; approximately 15–40% preventive and chronic medical treatment; approximately 5–10% (up to ~12%) direct acute and emergency cardiac care; and a few percent to ~10% unexplained residual, which should not be interpreted as the health-system contribution. For the United States 1980–2000 specifically: 44% / 37% / 10% / 9%.
  5. Within risk-factor improvement, what were the contributions? Population total cholesterol approximately 10–45% (U.S. 24%) — historical models measured serum total cholesterol rather than ApoB; smoking approximately 9–48% (U.S. 12%, England/Wales 48%); blood pressure approximately 6–22% (U.S. 20%); physical activity and diet approximately 5–10% where separately modeled and not double-counted against cholesterol and blood pressure. Obesity and diabetes contributed negatively, offsetting the equivalent of roughly 8% e 10% of the U.S. decline respectively.
  6. The five advances that have probably prevented or postponed the most coronary (CHD) deaths. Note that the underlying attribution literature concerns coronary mortality specifically, not all cardiovascular mortality. This is inference from repeated attribution studies rather than a measured league table, and the ranking is order-of-magnitude rather than precise.
Classificação Advance Base Confiança
1 Reduced serum cholesterol exposure — food supply and diet first, lipid-lowering pharmacotherapy later 24% of the U.S. decline, 32% Iceland, ~30% Ireland, dominant in Sweden; randomized LDL lowering causally reduces major vascular events ~20% per mmol/L Alto
2 Smoking reduction and tobacco control 12% (U.S.) to 48% (England/Wales); acts directly on first-event incidence Alto
3 Redução da pressão arterial, from both population change and medication 6–22% across models; ~10% fewer major CV events per 5 mmHg in randomized evidence Alto
4 Comprehensive secondary prevention — antiplatelet therapy, lipid lowering, BP treatment, ACE inhibition, rehabilitation 8–11% of entire national mortality declines despite applying only to those with established disease Moderado–Alto
5 The acute coronary rescue system — CCU and defibrillation, aspirin and reperfusion, EMS and primary PCI Smaller effect on incidence, transformative effect on case fatality; ~5–10% of total mortality decline, but a major reason short-term MI survival improved dramatically Moderado–Alto

Ranks 1 and 2 could reasonably be reversed in a population such as England and Wales where smoking dominated. The acute rescue system would rank first if the outcome of interest were survival after a heart attack em vez de population coronary mortality.

O resultado final

People today are dramatically less likely to die of coronary heart disease than their grandparents for two fundamentally different reasons, and the failure to distinguish them is the source of nearly every misconception about this history.

First, they became less likely to have a heart attack at all. Smoking fell. Average blood pressure fell. Atherogenic cholesterol exposure fell. Food environments changed, tobacco policy changed, and, increasingly from the 1970s and 1990s, antihypertensive and lipid-lowering medicines pushed those biological risks lower still. In the international attribution literature, these changes generally explain more of the historical decline than acute cardiology does.

Second, when a heart attack does occur, medicine is vastly better at preventing it from being fatal. Coronary care units and defibrillation attacked malignant arrhythmia. Aspirin and antithrombotic therapy limited thrombosis. Thrombolysis and then primary PCI restored coronary flow. Emergency medical systems shortened delay. Secondary prevention lowered the probability of the next event.

The proposed summary — that the decline arose from fewer cardiovascular insults across the population, plus increasingly effective preventive medications, plus dramatic improvements in survival when heart attacks occurred — is therefore supported by the evidence, with three amendments:

  1. É not a timeless 50/50 law. The balance shifts by country and, decisively, by era. Risk-factor change probably accounted for a larger share before 1980, because most modern therapy did not yet exist — but coronary care units, hypertension treatment, and CABG were already contributing, and a precise partition for that period is unavailable.
  2. Acute rescue deserves both more and less credit than it usually receives — more, because it is a major reason heart attacks are now far more survivable; less, because it explains only around 5–10% of the population-level mortality decline.
  3. The story does not end in triumph, and it is not a ratchet. The decline has stalled, and in adults under 55 in-hospital mortality after a first STEMI rose between 2011 and 2022.[59] Post-Soviet Russia demonstrated that a population can lose decades of cardiovascular progress in under ten years without losing any medical knowledge at all. Progress is contingent on social and behavioral conditions, not guaranteed by accumulated technology.

The fairest quantitative summary is this:

During the best-studied decades of the coronary mortality decline, favorable population risk-factor changes commonly explain about 45–70% of the fall, while medical and surgical treatment explains about 25–45%. Within the treatment contribution, direct acute-MI rescue commonly represents only around 5–10% of the total population mortality decline; the remainder comes largely from chronic treatment, secondary prevention, and management of established cardiovascular disease. Approximately two-thirds of the decline in coronary mortality during the classic MONICA era reflected fewer coronary events, and about one-third better survival after them.

In other words: modern cardiology has prevented an enormous number of deaths, but the century’s cardiovascular achievement is broader than cardiology alone. Population prevention reduced how often the coronary catastrophe happened; modern medicine transformed what happened next.

And the corollary matters more than the history. A large share of the twentieth century’s gains came from reducing population exposure to smoking, elevated blood pressure, and atherogenic cholesterol — alongside the transformation of acute care. Future gains are likely to depend increasingly on treating cumulative lifetime exposure rather than middle-aged thresholds, on addressing lipoproteína(a) and residual inflammatory risk, on countering the obesity and diabetes counterweight that has been eroding progress for thirty years — and, most of all, on the unglamorous work of actually delivering to patients the therapies that were proven to work decades ago.

Referências

Numbered in order of first appearance in the text.

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